O Relatório Anual da Caixa de Assistência (Cassi) referente ao ano passado foi aprovado em votação que ocorreu entre os dias 19 e 28 de abril. Entretanto, chama a atenção a quantidade de abstenções e votos nulos e brancos. A base de votantes é de 163,5 mil associados. Desse total, 38,2 mil foram favoráveis; 10,5 mil contrários; 8,7 mil votaram em branco; e 10,5 mil, nulo. Houve, portanto, uma abstenção de 95,4 mil pessoas. Os favoráveis equivalem a 78,4% dos votos válidos. Os contrários, 21,6%.
A aprovação do documento acontece por maioria simples, ou seja, 50% mais um voto, conforme prevê o Estatuto Social com base nos votos válidos. Diante do grande número de abstenções, a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone destaca que é preciso questionar o que motiva o não envolvimento das pessoas no processo de votação. “Qual é o motivo dessa enorme abstenção? Precisamos ficar atentos, pois as pessoas não estão participando do processo”, indaga, destacando também que o percentual de aprovação do relatório foi muito baixo se comparado ao número de associados.
Motivos da alta abstenção
A diretora salienta que, embora haja entre os associados pessoas de mais idade, sem familiaridade com as tecnologias digitais e impossibilitadas de votar por causa disso, o número de votantes que faz parte desse grupo não é tão gritante. Goretti destaca, ainda, que somados os votos brancos e nulos o total é de 19,2 mil, quantidade que também considera bastante expressiva. Essa situação, supõe, é uma manifestação subliminar de protesto. “Pode ser uma demonstração de insatisfação com a atual gestão da Cassi”, diz.
No processo de votação, o Sindibancários/ES orientou o voto pela não aprovação do relatório. Na ocasião, a entidade destacou o valor abusivo da coparticipação e a retirada da lista de medicamentos de uso contínuo como alguns dos pontos que justificavam a desaprovação do documento. Para Goretti Barone, a diretoria e o conselho deliberativo da Cassi tratam a Caixa de Assistência como se fosse uma operadora qualquer de plano de saúde do mercado.
Saúde não é mercadoria
“Não podemos compartilhar dessa visão que pensa a saúde como mercadoria e persegue lucro no final do exercício como sinônimo de gestão eficiente. A Cassi é um plano de autogestão criado com base no princípio da solidariedade, portanto, não sendo concebido para dar lucro. Queremos uma gestão que priorize a saúde dos trabalhadores e dependentes e garanta a sustentabilidade da Cassi”, enfatiza Goretti.
Outro ponto destacado na ocasião foi a aprovação, em 2019, sem a anuência dos associados, de um aumento na coparticipação em consultas e exames em percentuais. Esse aumento tem inviabilizado a permanência no plano sobretudo dos funcionários com salários mais baixos e dos mais adoecidos. O sindicato também faz críticas à redução dos medicamentos de uso contínuo, que têm alto custo e deveriam voltar para a lista.
No que diz respeito ao Balanço 2020, cujo resultado foi positivo, o sindicato destaca que os resultados vieram do aporte extra de R$ 1 bilhão do patrocinador (BB), aumento das contribuições mensais dos associados e da cobrança por dependentes. Pesou também no resultado superavitário a redução da demanda pelos serviços de saúde em função da pandemia. “Muitas consultas, exames, cirurgias eletivas e outros procedimentos ficaram represadas em 2020. Essa queda na demanda teve efeito nos resultados financeiros”.
Portanto, não é um resultado a ser comemorado, pois culminou, no ano de 2020, em redução de 39% nas internações hospitalares, 21% nos procedimentos cirúrgicos, 32% nas consultas presenciais e 14,5% nos exames ambulatoriais. No Plano Associados, a arrecadação aumentou de R$ 2,99 bilhões para R$ 3,26 bilhões. Somente em coparticipação o Plano Associados arrecadou R$ 167 milhões e R$ 691 milhões em contribuições por dependentes. De outro lado, apesar do aumento da inflação médica, as despesas se mantiveram estabilizadas em R$ 2,37 bilhões.
“É nítido que a atual gestão da Cassi tem cada vez mais sobrecarregado os associados financeiramente e reduzido a responsabilidade do banco no custeio da Caixa de Assistência”, diz Goretti.

