O Santander foi o primeiro dos grandes bancos a anunciar o resultado do quarto trimestre de 2023 (4T23). O lucro líquido de R$ 2,2 bilhões foi 30% maior em comparação ao mesmo período de 2022 (4T22), mas 17,7% inferior ao trimestre anterior (3T23), quando o banco apurou R$ 2,7 bilhões. Com o resultado, o Santander fecha 2023 com lucro líquido recorrente de R$ 9,3 bilhões, resultado 27,3% menor do que o registrado em 2022. O lucro de 2023 da unidade brasileira do banco espanhol representou 17,3% do lucro global do Santander, que foi de € 11,076 bilhões (R$ 59,1 bilhões).
Para dirigente do Sindibancários/ES Claudia Garcia, o alto valor das despesas líquidas com provisão (PDD), que ficaram em R$ 6,8 bilhões, alta de 21,7% em relação ao trimestre anterior, tem impacto no repasse da PLR para os bancários e bancárias, que tende a ser menor.
“Na verdade foram os parceiros da ciranda capitalista que aplicaram um calote bilionário no Santander, que teve impacto nos resultados de 2023”. A dirigente se refere ao calote que o banco tomou da Americanas, que pediu recuperação judicial há um ano. O Santander é um dos maiores credores da Americanas.
“Apesar do calote, há uma enorme tolerância entre os parceiros do mercado. Essa consideração, no entanto, não se estende aos funcionários e às funcionárias do banco, que estão lá no dia a dia trabalhando intensamente, dando o sangue e adoecendo para cumprir metas cada vez mais intangíveis. Essa dedicação, infelizmente, não é reconhecida. Ao contrário, os funcionários do Santander ganham pouco, trabalham muito e ainda vão receber uma PLR reduzida por causa dos riscos que o banco decidiu correr com a Americanas”, adverte.

