A reunião agendada para essa segunda-feira, 29, entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) e o Recursos Humanos nacional do Bradesco para discutir propostas de teletrabalho não aconteceu. Em cima da hora, o diretor de RH do Bradesco, Juliano Marcílio, comunicou que não poderia participar da reunião. Ele sugeriu que a reunião fosse mantida com os representantes de Relações Institucionais e Sindicais do banco. Mas, após discussão, os representantes do COE decidiram não manter a reunião.

Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho, que participaria da reunião pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) , os representantes do COE deliberaram que irão encaminhar um ofício ao Bradesco com as propostas de teletrabalho a partir do estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o tema.

“No ofício, estamos registrando também uma reclamação formal contra a postura do diretor de RH Juliano Marcílio na condução da mesa de negociações com a COE. “Essa postura de evitar o diálogo com os representantes legítimos dos funcionários tem sido recorrente. O diretor não conduz as trativas dentro de princípios respeitosos e democráticos. Em mais de uma ocasião, ele se retirou da mesa alegando compromissos no momento em que estávamos com a palavra para apresentar contra-argumentações à fala dele. Só ele quer falar”, critica.

Fabrício acrescenta que a agenda de manifestações presenciais e virtuais contra as demissões e as precárias condições de trabalho impostas pelo Bradesco está mantida.

Propostas teletrabalho

No ofício que está sendo enviado para o Bradesco, a COE descreve quais os principais pontos da proposta de teletrabalho, com base no estudo do Dieese. Confira:

> fornecimento pelo banco de cadeiras e outro equipamentos ergonômicos;

> canal de comunicação específico para bancários e bancárias em teletrabalho;

> manutenção do registro de ponto eletrônico, que tem se mostrado eficiente para o evitar descontrole da jornada de trabalho;

> pagamento de auxílio home office;

> modelo híbrido.

Pioneirismo de fachada

O dirigente do Sindibancários/ES lembra que o Bradesco se gaba de ser pioneiro entre os bancos em apresentar uma proposta de teletrabalho ainda em 2020, mas que nunca se tornou realidade. “É uma proposta de fachada. O banco foi o primeiro a assinar um acordo de teletrabalho, mas não o colocou em prática, na medida em que só implementou sistema de rodízio semanal/quinzenal, evitando os acordos individuais assinados, em sistema de teletrabalho constante.”

Para escapar da própria proposta, afirma Fabrício, o Bradesco instituiu o revezamento (uma semana/quinzena em home office; uma semana/quinzena presencial) para não caracterizar o teletrabalho. “No fim das contas, o Bradesco não paga a ajuda de custo de R$ 1.080/ano porque alega que o trabalhador não está cem por cento em home office”, explica.

Fabrício acrescenta ainda que não há data definida para uma nova reunião com o Bradesco para retomar as negociações sobre teletrabalho. “Vamos aguardar que o Bradesco se posicione sobre as demandas da COE consignadas no ofício para, em seguida, nos manifestarmos”, conclui.