Já está no ar o podcast Prosa Bancária, uma produção do Sindicato dos Bancários que estreia trazendo o tema “Juros e autonomia do Banco Central: como nos afetam?”. Com aproximadamente 20 minutos de duração, o programa será disponibilizado sempre na última terça-feira de cada mês nas principais plataformas de áudio.

Apresentado pela jornalista Bruna Gati, o podcast nasce com a proposta de tratar dos principais assuntos que dizem respeito à categoria bancária, aos trabalhadores de um modo geral e à sociedade, num bate-papo descontraído, informativo e formativo. É mais uma ferramenta da comunicação sindical que a entidade coloca à disposição dos bancários e da classe trabalhadora.

O episódio de estreia conta com as participações do diretor de Imprensa e Comunicação do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), e da economista do Dieese Cátia Uehara, que debatem a política do Banco Central de manter elevada a taxa básica de juros, a Selic, hoje no patamar de 13,75%.

Juros e autonomia

No mês de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunirá novamente para discutir a taxa de juros. O Copom já deixou claro que a Selic pode ser elevada caso as expectativas de redução da inflação não sejam cumpridas.

Na avaliação de Uehara, a aplicação dessa política de juros elevados de forma muito prolongada pode levar o Brasil à recessão. “Manter a taxa de juros real em torno de 7% ao ano, isto é, a taxa Selic já deflacionada, significa encarecer o crédito tanto para as empresas quanto para a população, desestimula os investimentos, aumenta o desemprego, reduz a renda das famílias e aumenta o tamanho da dívida pública, o que dificulta o controle das contas públicas”, afirmou.

Quem se beneficia?

Para Carlão “quem se beneficia com essa política do Banco Central é uma minoria, que não chega a 1% da população: bancos e rentistas que vivem da especulação financeira. Já o Estado perde, e consequentemente o povo, pois nossa arrecadação é para pagar os juros da dívida”.

O diretor do Sindicato lembra que essa política econômica foi derrotada pelos trabalhadores e a sociedade em geral no último pleito eleitoral, mas a autonomia do BC aprovada no governo Bolsonaro está travando o desenvolvimento do país. “O compromisso do novo governo foi baixar taxas de juros, gerar emprego e negócio, fazer esforços na política externa para atrair investimentos e parceiros para voltar a girar a economia. Essa política do Banco Central dificulta esse projeto”, afirmou Carlão. Ele destaca que a dita autonomia não é real, pois são os interesses dos bancos e dos rentistas que prevalecem no Copom.

A economista do Dieese diz que o Estado não pode ter sua atuação esvaziada quando o que está em pauta é a política econômica. “Eu acho que o Estado tem um papel importantíssimo na condução da política econômica. A gente não tem que esvaziar o Estado. O casamento entre uma política monetária com taxas de juros menores e uma política fiscal mais expansionista, prevendo o equilíbrio fiscal e o controle dos gastos públicos, vai trazer um crescimento econômico e, consequentemente, maior geração de emprego e renda para a população”, afirmou, defendendo o fim da autonomia do Banco Central.