O Sindicato dos Bancários/ES anunciou que vai doar o equivalente a 20 cestas básicas mensais, no valor de R$ 75 cada, para a “Campanha Permanente Contra a Fome”. As doações serão mantidas enquanto durar a pandemia. Desde abril do ano passado, quando aderiu à campanha, o Sindicato vem promovendo uma mobilização para engajar a categoria bancária na ação. As doações são entregues ao Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica e à Paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé (Território do Bem), que destinam as cestas de alimentos para as pessoas em situação de rua nos municípios de Vitória, Cariacica, Serra e Vila Velha. 

O diretor do Sindicato Fabrício Coelho diz que neste momento de extrema necessidade, a solidariedade de classe deve falar mais alto. O dirigente lembra que são milhões de pessoas a mais em situação de pobreza extrema no país. “O Governo Bolsonaro é sem dúvida o mais irresponsável da história recente do Brasil. Um governo que tira os direitos mais fundamentais da população e a desampara em meio a uma crise sanitária que já matou mais de 547 mil pessoas. Um governo que vira as costas para os pobres e  favorece as elites, os poderosos”. 

Fabrício acrescenta que Bolsonaro aprofunda o fosso da desigualdade social. “Se de um lado aumenta o número de miseráveis, do outro cresce o de novos milionários; oportunistas de ocasião especulam no mercado imobiliário enquanto milhões padecem de um teto. Não podemos ficar alheios à carestia. Contamos com o apoio da categoria bancária para fortalecer a campanha do Vicariato”. 

Doações em dinheiro são convertidas em cestas

As doações em dinheiro dos bancários e das bancárias de todo o Espírito Santo serão convertidas em alimentos e produtos de higiene e limpeza. As doações podem ser feitas por meio de depósito em conta corrente (27.697-770, agência 0274, Banestes, em nome da Mitra Arquidiocesana de Vitória-ES – Paróquia Santa Teresa de Calcutá) ou via PicPay (PCalcuta – QR Code no final desta matéria).

Segundo Padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, conhecido pela sua atuação em defesa dos direitos humanos e das minorias, desde o início da pandemia um grupo de voluntários tem percorrido a Grande Vitória levando à população em situação de rua lanches, marmitas, cobertores e material de higiene pessoal, como forma de minimizar os efeitos da pandemia. A ação é coordenada pela Pastoral da População de Rua e o Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica.

Aumento da miséria

As curvas de novos casos e óbitos pela covid-19 cederam nas últimas semanas, mas ainda mata em média 1.200 pessoas diariamente no Brasil. Os segmentos mais vulneráveis da população, além de lutarem contra o vírus, enfrentam também a fome. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada quatro pessoas no país não sabe se fará a próxima refeição ou se ficará por um ou mais dias sem ter o que comer. É a chamada insegurança alimentar. 

Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), apontam que 117 milhões de brasileiros, mais da metade da população, estão em insegurança alimentar. 

No período abrangido pela pesquisa, em dezembro de 2020, 116,8 milhões de brasileiros não tinham acesso pleno e permanente a alimentos. Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada ou grave) e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome (insegurança alimentar grave). A pesquisa foi realizada em 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais.

Os números do inquérito, destaca Fabrício, apontam que quase 20 milhões de brasileiros estão passando fome. “Esse é um dado preocupante, ainda mais quando observamos que o levantamento foi feito há mais de seis meses. Sabemos que nesses primeiros meses de 2021 a situação socioeconômica se agravou bastante”. Ele lembra que o Governo Bolsonaro deixou a população mais vulnerável sem o auxílio emergencial nos três primeiros meses do ano e só retomou em abril, mas para menos gente e com um valor reduzido.

O dirigente sindical diz que essa massa de pessoas que está tentando sobreviver na linha da pobreza depende cada vez mais da solidariedade da parte da população que ainda tem condições de ajudar ao próximo. “Sabemos que as ações humanitárias que estão promovendo arrecadações de alimentos, ao longo da pandemia, estão apreensivas com a queda das doações”. Ele destaca que com o aumento do desemprego e da pobreza, um número cada vez maior de pessoas precisa de ajuda”, assinala o dirigente.

Saiba como ajudar

As doações para a “Campanha Permanente Contra a Fome” podem ser feitas por meio de depósito em conta corrente (27.697-770, agência 0274, Banestes, em nome da Mitra Arquidiocesana de Vitória-ES – Paróquia Santa Teresa de Calcutá). Agora também é possível doar via PicPay (Pcalcuta – QR Code, abaixo).