O Sindicato dos Bancários/ES apoia a luta dos trabalhadores ferroviários do Espírito Santo e de Minas Gerais, que estão mobilizados contra as demissões arbitrárias da mineradora. Organizados pelo Sindifer ES/MG, os trabalhadores realizaram nesta quarta-feira, 16, um ato em frente ao portão de entrada da unidade de Tubarão, em Vitória. Segundo o Sindifer, a Vale já demitiu milhares de trabalhadores em todas as unidades no País. Só no Espírito Santo e Minas foram contabilizadas mais de 250 desligamentos.

O Sindibancários/ES e a Intersindical assinam, em conjunto com outras entidades, nota pública que questiona as demissões na empresa. O documento destaca que a alegação de redução dos custos, que justifica as demissões, é falsa, já que a Vale acumulou 121 bilhões de lucro somente em 2021, e tem perspectiva de resultados ainda melhores no próximo período. A nota ainda cobra da Vale responsabilidade social, ética e moral com seus trabalhadores e a sociedade, diante da grave crise econômica enfrentada no país.

Leia a íntegra do documento:

 

A mineradora Vale S.A. demite.

Põe na rua milhares de chefes de família em todo o país.

A desfaçatez é tamanha que a empresa nem mais se constrange em demitir sob a alegação de redução de custos, tendo em seu cofre 121 bilhões de lucro acumulado somente em 2021 e a perspectiva de crescimento ainda mais recorde do valor das ações e preço do minério de ferro, níquel, cobre, entre outros.

No momento em que o país atravessa uma crise econômica sem precedentes, agravada pela pandemia e a guerra, com seu processo de demissão a Vale contribui para engrossar o exército de 15 milhões de desempregados brasileiros.

Não deveria ser assim.

A Vale tem uma dívida social, ética e moral para com seus trabalhadores, para com o Brasil e para com os brasileiros.

A Vale protagonizou o maior acidente de trabalho do país e os maiores desastres ambientais de toda a nossa história.

Sob seus escombros, 19 pessoas morreram em Mariana. Em Brumadinho, perderam a vida outras 270 pessoas, entre as quais duas grávidas, o que aumenta o número para 272.

Sob sua lama tóxica, os rios Doce e Paraopebas foram contaminados, matando milhares de espécimes vegetais e animais.

A Vale precisa urgentemente rever seu marketing externo e interno.

Para consumo da sociedade, a Vale vende a imagem de comprometimento com a vida, o país, as pessoas e o meio ambiente.

Na prática, o que se verifica é uma empresa temerária justamente à vida, ao país, as pessoas e ao meio ambiente.

Para consumo interno, a Vale faz espalhar a versão de que o reajuste abaixo da inflação permitiria a sustentabilidade de suas plantas e a consequente manutenção de empregos.

A Vale mentiu. E demitiu.

Se por um lado a empresa informa em seu Relatório do Programa de Ética e Compliance 2021 e espalha amplamente a notícia de ter demitido 157 trabalhadores por violação do Código de Conduta, por outro lado esconde a demissão de milhares trabalhadores com sólida e excelente performance.

Para consumo externo a Vale vende a imagem de preocupação com um ambiente de trabalho seguro. Mas na prática, ela eleva de forma irresponsável o nível de stress dos empregados, expondo-os a acidentes de trabalho.

A luta contra as demissões da Vale e na Vale é uma urgência nacional.

O Sindfer conclama os dirigentes dos demais doze sindicatos que atuam na empresa para unir esforços na construção de um amplo movimento de mobilização que interrompa o processo de demissão em curso e garanta nossos postos de trabalho.

A luta contra as demissões está na essência do movimento sindical e trata-se de um dos principais compromissos de campanha do Movimento da Categoria.

A hora é de superar as divergências e unir todos os trabalhadores do país com um só objetivo:

Basta de demissões!

Reprodução / Sindifer