25 de julho: hoje é dia de luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas

25/07/2022 11:06

As mulheres pretas são as primeiras vítimas do desemprego, da recessão econômica, da violência e da objetificação dos corpos

Nesta segunda-feira, 25 de julho, comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A ONU reconhece a data desde 1992, quando ocorreu o 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe. No Brasil, a data foi aprovada em 2014 e decretada nacionalmente pela então presidenta Dilma Rousseff.

Atividades em várias partes do país marcam o Julho das Pretas. Em Vitória, um ato Pela Vida das Mulheres Negras será realizado no próximo sábado, dia 30, das 9 às 13 horas, na Praça Costa Pereira, com manifestações artísticas e culturais. Um manifesto também está sendo lançado nas redes sociais nesta segunda-feira. Veja abaixo as outras atividades previstas para o Estado.

“Esse dia é muito importante para nós, mulheres, pois podemos dar visibilidade às nossas pautas, que são muitas. Sabemos que a luta das mulheres negras é enorme e vem de muito tempo. Garantir políticas públicas efetivas que deem conta de todas as necessidades das mulheres é uma tarefa da sociedade”, afirmou a secretária de Mulheres do Sindibancários/ES, Cláudia Garcia

Setor bancário

As mulheres pretas são as primeiras vítimas do desemprego, da recessão econômica, da violência e da objetificação dos corpos. Em 2021, o país registrou 1.319 casos de feminicídio, segundo relatório do Fórum de Segurança. Outra violência praticada contra as negras é no trabalho.

No setor bancário, as mulheres pretas representam somente 1,1% das que estão em cargos de liderança, com remuneração média equivalente a 59% da média da recebida pelos homens brancos, segundo informação da Contraf-CUT.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que enquanto um bancário branco ganha, em média, R$ 10 mil, a mulher branca recebe R$ 7,8 mil e a mulher negra apenas R$ 5,9.

Quem foi Tereza de Benguela?

Tereza de Benguela viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, chefe do Quilombo Quariterê, localizado na divisa do Brasil com a Bolívia no atual estado do Mato Grosso. Com a morte do marido, ela passou a reinar na comunidade negra e indígena, resistindo à escravidão por duas décadas, até por volta de 1770, quando, após várias incursões, o quilombo foi destruído pelas forças da capitania mato-grossense.

Tereza implantou novos modelos de produção, como o uso de ferro na agricultura. Defendendo seu povo, ela liderou as ações contra os bandeirantes, como mostra artigo do portal Alma Preta, assinado por Pedro Borges: “O quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos”.

Com informações da Contraf-CUT

Programação do Julho das Pretas no ES

26/07 – Cine-debate filme Identidade – Serviço Social e questão racial, às 18h, no auditório da Biblioteca Central da Ufes

28/07 – Roda de Conversa: Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, promovido pelo Coletivo Dona Astrogilda, às 19h, no Teatro Municipal de Aracruz

28/07 – Roda de Conversa – Mulheres Negras, história que nos negaram, às 19h, na Associação dos Docentes da Ufes (Adufes)

29/07 – Feira artística e Cultural Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha – PET de Serviço Social, às 8h, na Ufes

29/07 – Homenagem às Mulheres Negras Coletivo FEPNES + Diversidade Núcleo de Alegre, em Alegre

29/07 – Show da Naomhi, às 19h30, no Thelema, Centro de Vitória

30/07 – Ato pela vida das Mulheres Negras, das 9 às 13h, na Praça Costa Pereira

30/07 – Somos Terezas, às 11h, no Bar da Zilda, no Centro de Vitória, com oficinas, Feira Preta e roda de conversa

30/07 – Homenagem às Mulheres Negras Coletivo FEPNES + Diversidade Núcleo de Marataízes, em Marataízes