De janeiro a março deste ano, o Bradesco lucrou R$ 3,75 bilhões. De acordo com o balanço divulgado pelo banco, em relação ao primeiro trimestre de 2019 houve uma redução no lucro recorrente de 39,8%. Essa queda, no entanto, pode ser explicada pelas provisões para devedores duvidosos (PDDs).
A despesa com as chamadas PDD aumentou 17% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Quando consideramos a PDD expandida (que inclui provisão para avais e fianças, receitas com recuperações de crédito, descontos concedidos, resultado com BNDU e impairment de ativos financeiros) o aumento chega a 86% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 6,7 bilhões. Isso para o banco se proteger em caso de inadimplência de empresas que enfrentam os efeitos da pandemia do novo coronavírus. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,7% em março, ante 3,3% em dezembro.
Os bancos, como sempre, seguem ganhando com a prestação de serviços e a cobrança de tarifas. No Bradesco, foram R$ 8,2 bilhões só com essa rubrica no primeiro trimestre.
Menos empregos
Com relação aos empregos, o Bradesco fechou 1.922 postos de trabalho no período de doze meses. Quanto à rede de atendimento, foram fechadas 194 agências em um ano.
Metodologia
O diretor do Sindicato e bancário do Bradesco Iracélio Lomes Coelho lembra que foi o aumento da PDD que impactou a lucratividade do Bradesco. “Foi uma questão de metodologia, de como se organizar para o momento. O Santander, por exemplo, usou outra forma e registrou lucro. Então o Bradesco não tem nenhum motivo para mexer com os direitos dos funcionários”, avalia Iracélio. Ele lembra que o banco está demorando demais para testar os bancários para a covid-19 e adotar outras medidas para prevenir a doença entre os trabalhadores.






