Fortalecer a ação nas redes sociais e driblar o isolamento com segurança construindo diálogos presenciais para ampliar a mobilização da categoria durante a Campanha Nacional. Essa foi a síntese da estratégia debatida por bancários e bancárias na primeira plenária de avaliação e mobilização da Campanha Nacional 2020, realizada na noite desta segunda-feira, 10, por videoconferência.
Após um repasse detalhado sobre as primeiras rodas de negociação específicas com os bancos públicos federais e com a Fenaban, bancários e bancárias debateram os principais desafios dessa Campanha, buscando apontar caminhos para envolver os bancários, mesmo num cenário de crise sanitária que reduz o contato cotidiano nas agências e departamentos.
“A Fenaban sinalizou que quer renovar a Convenção até o fim de agosto, mas não podemos aceitar qualquer acordo. Estamos num momento delicado, mas pandemia não pode ser justificativa para um acordo rebaixado. Temos que ampliar nossa presença nas redes, fazer agitação, plenárias virtuais e conversas presenciais nos locais de trabalho sempre que possível. A categoria tem que deixar o recado de que, se necessário, vamos à greve”, destacou o diretor Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários.
Negociações específicas
O coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, deu os informes sobre a reunião de entrega da minuta específica do Banestes, que aconteceu na última quinta-feira, 06. Na oportunidade, a comissão de negociação do Sindicato destacou as principais reinvindicações dos banestianos, que incluem o fim das terceirizações, novas contrações com convocação dos concursados de 2018 e regulamentação do teletrabalho. A primeira rodada de negociação ficou agendada para esta terça, 11, a partir das 14h. Nesta terça também acontece a assembleia dos bancários do Bandes para discussão e aprovação da minuta específica, a partir das 19h. A atividade será por videoconferência.
Em relação às negociações com a Caixa Econômica, a diretora Rita Lima salientou: “as perspectivas são difíceis, não só porque estamos separados pelo isolamento, mas porque a preocupação do governo não é com os trabalhadores. Temos empregados trabalhando mais de 10 horas por dia, a Caixa está burlando descaradamente o rodízio e coagindo as pessoas a se voluntariarem para o trabalho nas agências, as metas aumentaram, e para piorar fomos surpreendidos com a MP 955, que desmonta a Caixa Econômica. Se não conseguirmos manter a Caixa pública, podemos ter uma onda de demissões e um grande impacto para a sociedade”.
Entendendo a defesa da Caixa como uma centralidade para o período, Rita falou sobre as estratégias que vêm sendo construídas para conter o processo de privatização em curso. “Nossa orientação é articular audiências públicas e as bancadas estaduais e federais, criar frentes parlamentares que façam a resistência ao projeto privatista no âmbito institucional e ampliem o diálogo com a sociedade sobre os prejuízos de fatiar a Caixa Econômica. Precisamos dar uma demonstração de que os empregados da Caixa são fortes e que vamos resistir a mais essa tentativa de desmonte desse patrimônio público”, completou.
A defesa do Banco do Brasil público também foi salientada pela diretora Goretti Barone. “Tivemos a indicação de um presidente do BB com perfil privatista, que sedimenta os planos já anunciados pelo Ministro Paulo Guedes de vender o Banco do Brasil. O cenário nos impõe um esforço de mobilização mais amplo, com toda a sociedade, em prol dos bancos públicos e do seu papel social”, disse.
Momento é de resistência para manter direitos
Numa conjuntura política desfavorável, o Sindicato também chamou a atenção para curto tempo de negociação antes da data-base da categoria, em 1º de setembro – um fator que favorece os banqueiros e que põe os trabalhadores em alerta.
“Os banqueiros apostam no passar do tempo para derrotar a categoria. Se antes tínhamos como carro-chefe da nossa Campanha a reivindicação de índice salarial, nesse ano falamos em não perder direitos. Sem a ultratividade da norma, que prorroga a validade dos acordos e convenções até a conclusão do processo negocial, a categoria pode ficar desguarnecida de direitos após a data-base. Estamos vivendo os efeitos da reforma trabalhista, da terceirização, da reforma da Previdência, e tudo isso impacta a nossa Campanha e requer de nós uma organização ainda maior para sairmos vitoriosos”, pontua o diretor Cacau Merçon.
A avaliação da primeira plenária virtual de mobilização da Campanha foi positiva, e os bancários assumiram o compromisso de mobilizar mais trabalhadores para as próximas atividades. As plenárias serão realizadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, a partir das 19h, em formato de videoconferência. Os links para ingressar na sala virtual serão disponibilizados no site do Sindicato.
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