(Atualizado em 23/03/21, às 12h25) Nem o mais pessimista poderia imaginar que a pandemia deixaria um rastro de 2,7 milhões mortes no mundo após um ano; mais de 290 mil dessas vítimas, cerca de 11% desse total, foram enterradas no Brasil. Com vírus desacelerando em diversos países graças à combinação lockdown e vacinas, a comunidade internacional voltou suas atenções para o Brasil, que segue na contramão dessa tendência mundial. Com mais de 2 mil óbitos diários, o país se transformou numa cova a céu aberto. Sem coordenação do Governo Federal, o país patina na vacinação e se consolida como pária mundial da crise sanitária.
Enquanto alguns se desesperam em busca de leitos de UTI para seus familiares, outros choram seus mortos. O presidente Bolsonaro, por sua vez, segue indiferente à dor do luto e desdenhando da doença. No viés político da sua narrativa tóxica, crítica governadores e prefeitos que têm recorrido às medidas restritivas ou ao lockdown como última medida para tentar conter o avanço do vírus e evitar o colapso total do sistema de saúde que já agoniza na maioria dos estados.
O surgimento de novos variantes do vírus, a resistência para adquirir vacinas e o posicionamento negacionista do presidente são fatores que vêm contribuindo para empurrar as curvas de óbitos e casos para as alturas entre o final de dezembro e esses primeiros meses de 2021. “Estamos batendo recordes de média móvel de óbitos diariamente. Em um intervalo de 24 horas as mortes já beiram 3 mil e os especialistas preveem que esse número ainda tem margem para crescer mais. A política necroliberal de Bolsonaro está ajoelhada sobre o pescoço do trabalhador que asfixia. É uma morte lenta e dolorida. Basta, não podemos mais suportar esse genocídio. Precisamos impichar Bolsonaro para que o Brasil volte a respirar”, desabafa a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Rita Lima.
Resistência
Esse quadro caótico está levando a sociedade civil organizada, dentro dos limites impostos pela pandemia, a criar manieras de resistir aos ataques do Governo Bolosnaro. O Sindicato dos Bancários/ES aderiu à agenda nacional junto com mais de 500 entidades e movimentos populares pelo fora Bolsonaro/Mourão; Lockdown, vacinas já para todos e todas, em defesa do emprego e auxílio emergencial de R$ 600. “A situação é gravíssima. Fazer a resistência a essa política necroliberal do Governo Bolsonaro virou questão de sobrevivência”, afirma Rita Lima.
A dirigente diz que mesmo adotando as medidas sanitárias e se manifestando dentro de automóveis nas chamadas carreatas, esse é o momento em que ninguém queria estar nas ruas. “Mas é preciso ser criativo e buscar alternativas para fazer a resistência nas redes sociais ou em atos como o do próximo dia 24, que pede o lockdown nacional”. A dirigente explica que havia uma carreata programada para o dia 28, no Espírito Santo, mas que acabou sendo cancelado pelas entidades organizadoras devido ao agravamento da pandemia no Estado.
“Não haverá a carreata, mas nossa luta pelo impeachment de Bolsonaro, em defesa do SUS, pela aceleração da vacinação, por um auxílio que possa pôr alimentos nas mesas das famílias continua pelas plataformas possíveis. Só não podemos ficar paraddos assistindo o genocídio do povo brasileiro. Não tem como, por exemplo, concordar com um auxílio de R$ 250. Bolsonaro quer matar a população de fome aos poucos”, diz a dirigente.
Desmonte das empresas públicas
Paralelamente à luta pela saída de Bolsonaro e por vacinas já, o movimento sindical bancário e associativo também vêm fazendo mobilizações virtuais e às vezes presenciais contra os ataques do Governo Federal à Caixa e ao Banco do Brasil. Segundo Rita Lima, há um processo de desmonte dos dois bancos que estão sendo preparados para a privatização. “O propósito deste governo é favorecer o capital e oprimir a classe trabalhadora. Bolsonaro e Guedes querem entregar os ativos mais valiosos do BB e da Caixa para os grandes bancos e concentrar ainda mais o sistema financeiro na mãos desses empresários. Agora o caminho ficou livre para essas negociatas, já que o controle do Banco Central está nas mãos dos banqueiros. São as raposas tomando conta do galinheiro”, critica Rita Lima.
Mobilização nacional
No próximo dia 24 de março cerca de 500 organizações da sociedade civil, entre entidades e centrais sindicais, partidos políticos, associações e movimentos populares participam de um lockdown nacional pelo Impeachment de Bolsonaro, Vacina Já para Todos e Todas e aumento do auxílio emergencial para R$ 600. No Espírito Santo, havia uma carreata programada para o dia 28, que acabaou sendo cancelada pelos organizadores no último sábado, 20, em função do agravamento da pandemia no Espírito Santo.
As organizações chegaram a publicar um manifesto com o título “Respira Brasil: em defesa do povo brasileiro”. Entre outros pontos de reivindicações do documento, o lockdown nacional é apontado como uma medida urgente e necessária para conter o avanço da doença, assim como a ampliação de leitos do SUS e o fim do projeto de privatizações das empresas públicas.
“Do impeachment de Bolsonaro à defesa das empresas públicas são todas pautas extremamente urgentes que exigem uma mobilização da sociedade civil. Mas temos que acompanhar atentamento a evolução da pandemia, que está num estágio crítico, e reavaliar as ações de mobilização para que elas só aconteçam com segurança sanitária, como foi feito agora pelas centrais e entidades sindicais, partidos e movimentos populares”, pondera a dirigente.









