
Protesto contra o desmonte do BB em frente à agência Pio XII, Centro de Vitória (Fotos: Sergio Cardoso)
Infelizmente, a palavra reestruturação não soa como novidade nos ouvidos da categoria bancária. Outras tantas já aconteceram, seja em bancos públicos ou privados. O que não é comum, no entanto, é um banco fazer uma reestruturação sem aviso prévio, propositalmente para pegar entidades sindicais e funcionários desprevenidos. Foi exatamente o que fez o Banco do Brasil ao anunciar um grande plano de reestruturação no dia 11 de janeiro último, que previa demitir mais de 5 mil empregados e fechar 361 unidades: 112 agências, 242 postos de atendimentos e 7 escritórios.
“É desconcertante para a liderança sindical ser informado de um processo de reestruturação dessa abrangência pelos próprios funcionários. Esse golpe foi urdido sorrateiramente justamente para nos pegar pelas costas e evitar que houvesse tempo para organizarmos a luta. Mas nós não jogamos a toalha e desde o dia 11 estamos entrincheirados fazendo a resistência às medidas truculentas anunciadas pelo BB”, relata a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone.
Ações

Café da manhã em frente à agência Leitão da Silva, em Vitória
Goretti recorda que desde o anúncio da reestruturação, sindicatos de todo o país vêm realizando mobilizações contra o desmonte do Banco do Brasil. A dirigente conta que no Espírito Santo foram realizadas plenárias, assembleias, retardamento de abertura das agências, greves de 24 horas e mobilizações virtuais e presenciais. “Além das movimentações nas redes sociais como tuitaços e campanhas para se vestir de preto em protesto à reestruturação, organizamos cafés da manhã no acesso às agências que estão na iminência de serem fechadas ou convertidas em lojas e postos de atendimento. Tomamos todos os cuidados sanitários e fomos conversar com as pessoas que utilizam as agências ameaçadas. Explicamos as consequências do fechamento e pedimos apoio da comunidade para reverter o processo nessas unidades”.
Goiabeiras

Lideranças comunitárias protestam contra o fechamento da agência BB da Fernando Ferrari, Goiabeiras
Goretti diz que foram feitas mobilizações nas agências Rodovia Lindenberg, em Vila Velha; Expedito Garcia, Cariacica, Leitão da Silva e Fernando Ferrari, em Vitória; Santos Neves, em Cachoeiro de Itapemirim e São Silvano, em Colatina. Ela destaca a mobilização feita na agência Fernando Ferrari. “Houve um grande envolvimento da comunidade de Grande Goiabeiras. Lançamos um abaixo-assinado para manter a agência Fernando Ferrari aberta e houve um forte apoio das lideranças comunitárias da região, que se comprometeram em coletar assinaturas dos moradores dos bairros vizinhos à agência”.
Bancada capixaba

(Da esq./dir.) Thiago Dias, Guerino Balestrassi, Goretti Barone, Lauro de Paula e Weber Birchler
Segundo a dirigente, pressionar a classe política também faz parte das ações de mobilizações. Ela diz que o Sindicato tem enviado cartas e feito contatos com senadores e deputados da bancada capixaba no Congresso, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. “O prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi, nos recebeu e prometeu mobilizar a bancada capixaba para apoiar nossa luta contra a conversão da agência São Silvano em loja. Balestrassi disse estar preocupado com as impactos da mudança de perfil da agência para a economia da região”, conta Goretti.
Ações na Justiça
Além das mobilizações, há também ações tramitando na Justiça contra a reestruturação do BB. Em fevereiro, a Contraf obteve liminar na Justiça do Trabalho que impede o Banco do Brasil de extinguir a função de caixa e cessar o pagamento da gratificação aos escriturários que a recebem para trabalhar na função.
O fim da função de caixa em caráter efetivo impactaria a remuneração de milhares de escriturários que recebem uma gratificação mensal para atuarem na função. Com a reestruturação, esse trabalhador passaria a receber apenas pelos dias em que fosse acionado como caixa.
A decisão do juiz Antonio Umberto de Souza Júnior, da 6ª Vara do Trabalho de Brasília, se estende a caixas do BB em todo o país. Para o magistrado, a eliminação da gratificação mensal de caixa executivo causará uma “redução impactante sobre suas rendas”. Souza Junior acrescentou ainda que “tanto a norma interna quanto a norma coletiva desautorizam a súbita e nociva alteração contratual maciça promovida pelo reclamado [Banco do Brasil]”.
Embora o mérito ainda não tenha sido jugado, Goretti destaca a importância da decisão ter garantido, mesmo que ainda liminarmente, o pagamento da gratificação.
A dirigente afirma que o Sindicato dos Bancários/ES também ingressou com uma ação questionando a extinção da função e consequentemente da gratificação. “Aqui a Justiça preferiu não conceder a liminar e analisar o mérito. Essa decisão está pra sair nos próximos dias”. Goretti acrescenta que além da ação relacionada à função de caixa, o Sindicato também ingressou com uma ação questionando a legalidade das transferências compulsórias dos funcionários do BB.









