Após mais de um ano do início da pandemia, o governador Renato Casagrande finalmente recebeu representantes das centrais sindicais dos trabalhadores, dentre elas a Intersindical. Durante o encontro, realizado na última quinta-feira, 08, os dirigentes sindicais cobraram medidas mais duras e a adoção imediata do lockdown para frear o avanço da covid-19 no Espírito Santo e minimizar a sobrecarga no sistema de saúde, que entrou em colapso.

Nas últimas duas semanas, diante da alta taxa de ocupação das UTI’s nos hospitais do Estado, que ultrapassou a taxa de 95%, do drástico aumento do número de mortos pela covid e da alta taxa de infectados, o governador Casagrande adotou medidas mais restritivas, como a suspensão do transporte coletivo. No entanto, o Casagrande continua se curvando aos interesses da classe empresarial e nega a orientação da ciência que insistentemente afirma que o lockdown é a principal saída para conter o avanço da pandemia.

Essa foi a principal crítica que os representantes dos trabalhadores fizeram ao governador durante o encontro. Os dirigente sindicais também cobraram que o governo implemente uma ampla política de assistência aos trabalhadores, com pagamento de benefício social de R$ 600,00, para complementar o Auxílio Emergencial pago pelo Governo Federal, cujo valor é irrisório e não soluciona os graves problemas econômicos que os trabalhadores, principalmente informais e desempregados, estão enfrentando.

Outra reivindicação feita pelas centrais foi pela implementação de políticas econômicas estaduais para auxiliar os micros e pequenos empresários, que são os mais frágeis no setor econômico empresarial e responsáveis por boa parte da geração de emprego.

“Essa foi uma reunião importante que reivindicamos desde o início da pandemia. Criticamos diretamente o governador que vem se reunindo continuamente com os empresários mas, até então, não havia sequer respondido aos pedidos das centrais sindicais dos trabalhadores. Reiteramos nesse encontro todas as reivindicações que colocamos no manifesto entregue a ele na última semana. Esperamos que ele atenda ao pleito dos trabalhadores, que faz o mesmo apelo dos cientistas pelo lockdown em defesa da vida. O Brasil está no epicentro da pandemia e quem mais está morrendo e sofrendo com as consequências econômicas são os pobres e os trabalhadores precarizados”, enfatiza o diretor Carlo Pereira de Araújo (Carlão), que representou a Intersindical e o Sindicato dos Bancários do Espírito Santo na reunião.

Bancos precisam fechar

Durante o encontro, Carlão também reivindicou ao governador o fechamento dos bancos, com atendimento somente para pagamento dos benefícios sociais, como pensão, aposentadoria e o Auxílio Emergencial.

“Os bancos, por serem locais fechados e com pouca circulação natural de ar, são altamente propícios à proliferação do vírus. Por isso, defendemos que as agências atendam apenas os serviços emergenciais, como medida de proteção à vida dos bancários e dos clientes.  Além disso, frisamos que é importante ter uma fiscalização mais rígida para garantir que as empresas cumpram os decretos que estabelecem as medidas restritivas”, destaca Carlão.

Vacina para todos

A defesa pela vacinação gratuita e para todos também foi feita durante a reunião com o governador. O pedido das centrais sindicais foi para que o governador Renato Casagrande participe do amplo movimento pela quebra das patentes das vacinas, para que se tornem acessíveis a todas as pessoas, principalmente das regiões mais pobres do mundo.

Clique aqui e confira o manifesto assinado por mais de 90 organizações, entre centrais e entidades sindicais, movimentos populares, fóruns, associações e coletivos, e que foi entregue ao governador Renato Casagrande.

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