O Sindicato dos Bancários/ES realiza plenária virtual nesta quinta-feira, 15, às 19h, para discutir com os empregados da Caixa a PLR Social, que não foi devidamente paga pelo banco; a oferta pública de ações (IPO) da Caixa Seguridade, marcada para 29 de abril; as devoluções dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD), que devem representar importantes perdas para o banco público, e as contratações de novos empregados. Na ocasião da plenária, o Sindicato também deve colocar em discussão a construção de uma agenda de paralisações em defesa da Caixa 100%.

A realização de plenárias nas bases sindicais de todo o país é uma das propostas da Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa) aprovada em reunião nessa segunda-feira, 12, pelo Comando Nacional dos Bancários. As plenárias abrem o calendário de lutas das ações previstas para o mês de abril.

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Para a diretora do Sindicato e membro do CEE/Caixa Lizandre Borges, todas essas pautas são prioritárias. “É difícil definir uma ordem de importância. Teremos que tratar de todos esses temas ao mesmo tempo. Mesmo porque, há uma pressão temporal. A IPO da Caixa Seguridade, por exemplo, já está agendada para 29 de abril. Por isso decidimos chamar a plenária ainda esta semana para discutirmos e planejarmos as ações de luta o mais rápido possível”, sublinha a dirigente.

PLR

Segundo a dirigente, a Caixa descumpriu o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2020/2021 e não pagou devidamente a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) dos empregados. De acordo com um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Caixa pagou a PLR Social com base na divisão linear entre todos os empregados de 3% do lucro líquido, e não de 4%, como determina o ACT.

“A Caixa simplesmente subtraiu 1% da PLR Social dos empregados, como revelou o Dieese. É inaceitável que a Caixa descumpra o ACT e enfie a mão no bolso do trabalhador para se apropriar do que não lhe pertence. Não vamos aceitar mais esse ataque”, assinala Lizandre.

Caixa Seguridade

Daqui a 15 dias a Caixa pode perder um dos seus mais valiosos ativos. Adiada outras duas vezes, a IPO da Caixa Seguridade está confirmada para 29 de abril. O banco pretende movimentar cerca de R$ 5 bilhões com a negociação das ações. Em janeiro de 2020, às vésperas de lançar a IPO, que acabou sendo cancelada em função da pandemia, o próprio Guimarães havia estimado que a empresa arrecadaria R$ 60 bilhões com a venda das ações da Caixa Seguridade.

“Ora, se a Caixa planeja negociar 25% das ações com essa IPO, pelas previsões de Guimarães, a operação deveria movimentar algo na faixa de R$ 15 bilhões, mas a realidade adversa do mercado estima que a Caixa vai obter um terço desse valor. Se em 2020 a operação foi abortada pelos impactos da pandemia, a crise sanitária atravessa hoje o seu momento mais crítico, com colapso nacional do sistema de saúde e a média móvel de mortos acima de 3 mil – maior patamar desde o início da pandemia”.

Em meio a essa conjuntura trágica, o Governo Bolsonaro segue passando a boiada: está prestes a liquidar um dos mais valiosos ativos do banco. Além dos mais, a venda da Caixa Seguridade é o primeiro passo para a privatização fatiada do banco”, adverte.

A dirigente chama a atenção para o fato de a Caixa ter anunciado na semana passada que os empregados também poderão comprar as ações da Caixa Seguridade. “A Caixa está tentando convencer o empregado que essa é uma oportunidade imperdível. A estratégia é seduzir o empregado a comprar as ações e transformá-lo em cúmplice da privatização da própria empresa. Em outras palavras, o empregado que se deixar seduzir por esse engodo, pode ficar amanhã com as ações, mas sem o emprego, afirma Lizandre.

IHCD

Lizandre diz que a CEE/Caixa está denunciando as graves consequências que as devoluções dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) vão causar à Caixa. Ela explica que o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, planeja devolver os recursos com a venda de subsidiárias ainda em 2021. Mas a dirigente alerta que IHCD não tem data de vencimento, o que desobrigaria a Caixa a antecipar a devolução destes recursos. A Caixa já devolveu R$ 11,35 bilhões de um total de R$ 40 bilhões.

Novas contratações

Recentemente, a Justiça do Trabalho reconheceu a validade do concurso de 2014. Embora ainda caiba recurso, a decisão foi recebida com grande alívio pelos empregados da Caixa que temiam por seus empregos, caso o concurso fosse anulado.

A decisão, segundo Lizandre, foi muito importante porque confirma a manutenção dos 4,3 mil empregados aprovados no concurso de 2014. A dirigente acrescentou que as contratações referentes ao concurso, que estavam paradas em função da ação, podem ser retomadas pela Caixa com a decisão. Ele também afirmou que o banco, caso decida abrir novos editais de contratações, deverá convocar os concursados do certame de 2014.

“Novas contratações têm sido uma demanda recorrente das entidades sindicais. De 2014 para cá, quase 20 mil empregados foram desligados da Caixa. Há uma defasagem enorme que sobrecarrega e adoece os empregados, muitos deles estão sob forte pressão no dia a dia e trabalhando muito além do limite humanamente aceitável”. Ela lembrou que antes desse último concurso de 2014 a Caixa tinha 101 mil empregados. “Na época lutávamos para a contratação de 2 mil para voltarmos a ter um quadro de 103 mil empregados”, recordou a dirigente.

Calendário de lutas

Lizandre enfatiza que a participação na plenária dos empregados e das empregadas da Caixa é vital para se construir uma grande mobilização em defesa do banco público. “Bolsonaro, Paulo Guedes e Guimarães estão decididos a desmontar a Caixa. A IPO é prova irrefutável desse processo de desmonte. Precisamos lutar em defesa da Caixa 100% pública. Por isso afirmei que são várias frentes de lutas simultâneas. Temos que defender nossos direitos em relação à PLR Social, que afeta diretamente o bolso de todos, mas, ao mesmo tempo, precisamos destinar energia para neutralizar ataques que representam o desmonte do banco, como a IPO da Caixa Seguridade”.

Na reunião, a vacinação para todos e todas e a inclusão dos empregados no grupo prioritário de imunização contra a covid-19 também foi definida como um dos temas de lutas de abril.

Agenda

Plenária virtual – 15 de abril – quinta-feira, às 19h
Plenária da Fetrafi RJ/ES – 19 de abril, segunda-feira, às 19h
Live Temática: Descapitalização da Caixa – dia 26 de abril – 19h