Os 129 delegados e delegadas que participaram do Encontro Nacional dos Trabalhadores do Itaú na tarde desta quinta-feira, 5, definiram a pauta de reivindicações específica dos bancários e bancárias do banco. Foi consenso que emprego, saúde e melhoria das condições de trabalho são temas prioritários que serão levados para a Conferência Nacional dos Bancários e deverão fazer parte das mesas de negociações com o banco.
Saúde do trabalhador
Saúde foi o tema da primeira mesa de trabalho do Encontro Nacional dos Trabalhadores do Itaú. “A pandemia trouxe à tona as desigualdades socioeconômicas do país. Mais de 100 milhões de brasileiros não sabem se vão ter o que comer no dia seguinte. Isso significa que mais da metade da população está em insegurança alimentar. Temos outros 19 milhões tentando sobreviver na miséria e mais de 14 milhões de desempregados. Como não podia ser diferente, a pandemia esteve no centro das discussões porque afetou e afeta diretamente a saúde da categoria bancária”, assinalou a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Mônica Cristina Garcia.
Alcendino Anderson (Sãozinho), que participou do encontro representando a Fetraf-RJ/ES e também a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, acrescentou que o banco em nenhum momento sentiu os impactos da pandemia. “Quando observamos o lucro registrado pelo Itaú no primeiro semestre deste ano, que é o segundo maior da história do banco, temos a certeza de que a pandemia não afetou as operações do banco, mas apenas seus funcionários. Muitos foram infectados pela covid e outros perderam suas vidas para a doença. Fora os que continuam adoecendo pela cobrança abusiva por metas”, criticou Sãozinho.
Os óbitos causados pela covid este ano já superam em 72 mil as mortes registradas durante todo o ano passado. “É justamente nesse cenário de mortes que o Itaú registra um dos maiores lucros da sua história”, criticou o dirigente, apontando que o banco pode fechar 2021 com um lucro muito próximo dos R$ 26,5 bilhões registrados em 2019 – ano em que o banco bateu todos os recordes de lucro.
Home office
Ainda nas questões relacionadas à saúde do trabalhador, o home office entrou na pauta dos debates. Segundo Sãozinho, há uma grande preocupação de como será essa transição do home office para o presencial. “Esse retorno para presencial não poderá ser imposto. Será preciso um longo debate para discutir as condições dessa transição. Temos também preocupação com os colegas que, mesmo vacinados, fazem parte do grupo de risco. Há ainda muita incerteza com relação ao surgimento de novas variantes, como a Delta, que já circula no Brasil. A pandemia não acabou e nem mesmo a ciência consegue, neste momento, fazer estimativas sobre o término da pandemia”, ressaltou.
Condições de trabalho
Para Mônica Cristina, esse cenário de incertezas requer cautela redobrada e mobilização constante dos funcionários para cobrar melhorias nas condições de trabalho, salientando que durante a pandemia o banco deixou a desejar na gestão das medidas sanitárias de combate à covid, onde deveriam zelar e priorizar pelas vidas dos seus funcionários. “Durante a pandemia houve negligência com protocolos sanitários. Medidas mais efetivas teriam evitado o contágio e consequentemente as mortes de muitos bancários”.
Além de encarar a covid no ambiente de trabalho, Sãozinho lembrou que os funcionários enfrentam também o vírus da ganância. Ele afirmou que para chegar ao lucro excepcional deste semestre, o banco aumentou a pressão por metas e resultados. “As metas estão cada vez mais abusivas. Quem não se infectou com a covid, adoece de doenças mentais e físicas causada por essa pressão absurda. Isso não pode continuar. Essas condições de trabalho desumanas não podem ser normalizadas”, criticou o dirigente.
Emprego
Os trabalhos do Encontro Nacional continuaram com o painel sobre Emprego. Os delegados e delegadas debateram os números apresentados pela economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) Cátia Uehara, no início do encontro.
Para Sãozinho, chamou atenção o dado apresentado pelo Dieese sobre demissões em 2021. “A economista do Dieese disse que foram 1.095 demissões de bancários somente no primeiro semestre deste ano. Quando olhamos o resultado absurdo do banco, ficamos ainda mais indignados com essas demissões. Fica patente que o banco só tem interesse em lucrar e não se preocupa com o bem-estar dos seus funcionários”. O dirigente afirmou que das 1.095 demissões, 150 foram no Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Cátia Uehara informou que nos últimos 12 meses, o Itaú fechou 114 agências físicas. No mesmo período, se desconsiderar os trabalhadores de tecnologia e da empresa ZUP (comprada pelo Itáu), houve uma queda de 1.900 postos de trabalho. “Todos são prejudicados nessa movimentação. Uns ficam desempregados, outros sobrecarregados e os clientes, que são usados como justificativa para essas mudanças, sofrem com a piora no atendimento”, disse a economista do Dieese. Ela apontou ainda que a relação clientes por empregados no Itaú era de 642 em 2014 e atualmente é de 1001.
Remuneração
O terceiro ponto debatido na pauta foi remuneração. Os delegados e delegadas mostraram que instabilidade e medo de demissões são os resultados da implementação do GERA, programa de remuneração variável criado para substituir o AGIR. Desde o início da mudança, a Coe vem tentando negociar com o banco.
Sãozinho disse que a mudança para o GERA representa retrocesso. O dirigente afirmou que pesquisas realizadas por alguns sindicatos observaram que o GERA causou acúmulo de funções, aumento das metas, sobrecarga de trabalho e assédio moral. “Não que o AGIR fosse uma maravilha, mas o GERA conseguiu piorar o que já não era satisfatório”, pontuou Sãozinho.
Fundação Itaú
O último tema debatido pelos delegados e delegadas do encontro foi a Fundação Itaú. Após um breve relato sobre todos os planos e um resgate das últimas eleições, realizadas em maio. “Os ataques que os fundos de pensão vêm sofrendo já é um debate bastante disseminado. Eles querem que os fundos fiquem nas mãos dos bancos, sem representatividade dos trabalhadores. Esse é o sonho deles. Temos que agir para ver onde há espaços para beneficiar os trabalhadores”, afirmou Erica Godoy, conselheira da Fundação.

