Negociações com bancos sobre protocolos avançam pouco

01/02/2022 14:01

"É um absurdo sem precedentes a forma com que os representantes da Fenaban colocam as questões referentes à pandemia", afirma a diretora do Sindicato Lizandre Borges

Em reunião com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizada nesta segunda-feira, 31, o Comando Nacional dos Bancários conseguiu garantir que os trabalhadores em contato com colegas com caso confirmado de Covid-19 devem ser testados para que haja o retorno ao trabalho. Caso não haja condições de efetuar o teste, o retorno deve ocorrer somente no 11º dia após o contato.

A Fenaban disse que os bancos vão enviar comunicados aos gestores orientando o afastamento de 10 dias, com retorno somente a partir do 11º dia, no caso de não haver testes disponíveis, podendo ser reduzido para 7 dias, com retorno a partir do 8º dia, caso haja um segundo teste negativo após o 5º dia de sintomas.

O Comando reivindicou, ainda, que os bancos adiantem a vacinação contra a gripe. A Fenaban informou que serão adquiridas as vacinas assim que forem disponibilizadas doses com a atualização da fórmula para a proteção contra a H3N2 e as novas cepas do vírus da gripe.

Essas foram as duas garantias da mesa de negociação com os banqueiros, o que ainda é insuficiente diante do adoecimento da categoria em função da explosão de casos de covid-19.

Descaso

“É um absurdo sem precedentes a forma com que os representantes da Fenaban colocam as questões referentes à pandemia. Dizem que os bancos atendem e dão as condições dos protocolos. É mentira! Os bancos não reconhecem a explosão de casos nas agências bancárias. Usam de forma parcial protocolos da Fiocruz  e comparam agências a postos de gasolina, um ambiente completamente diferente das agências”, afirma a diretora do Sindicato Lizandre Borges, que representou os capixabas na reunião.

Segundo ela, a Fenaban “não reconhece que as empresas têm que oferecer EPIs [equipamentos de proteção individual] para os bancários e dizem que cada um tem que ter a sua máscara, defendendo que as de tecido são eficazes, desde que seja feita a correta higienização. Mas nem isso fornecem!”. Na avaliação de Lizandre Borges, é completamente fora de aceitação a posição dos bancos. “São negacionistas ao não reconhecerem a falta de condições de trabalho e que a pandemia está num momento crítico”.

O Comando Nacional dos Bancários voltou a cobrar o retorno do teletrabalho, principalmente para aqueles que possuem alguma doença que possa ser agravada nos casos de contaminação pelo vírus da Sars-Cov-2, mas não obteve resposta positiva da Fenaban. Os bancos também não aceitaram fornecer máscaras adequadas (PFF2/N95) para seus funcionários.

Reivindicações

Outras reivindicações que ainda estão na pauta dos bancários para negociação com a Fenaban: sanitização das agências e unidades administrativas com casos confirmados; suspensão de exigência de cumprimento das metas absurdas; exigência do passaporte da vacina dos clientes; protocolo unificado; controle de acesso de clientes; redução do horário de atendimento para diminuir tempo de exposição; garantia de álcool-gel nas agências e departamentos; manutenção de marcação do distanciamento; suspensão de visitas a clientes, pelo menos neste momento de alta de casos de infecção; melhoria do atendimento da telemedicina; compromisso com a não-demissão.