Bancários recorrem ao MPT para mediar impasse sobre delta na Caixa

23/03/2022 10:01

A Caixa quer excluir do pagamento da promoção por mérito os empregados que participaram da paralisação de 24 horas em abril do ano passado.

O movimento sindical está recorrendo ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para garantir o pagamento dos valores referentes à promoção por mérito (também conhecida como delta) aos empregados da Caixa Econômica Federal que aderiram à paralisação de 24 horas em abril de 2021. Ofício foi encaminhado ao MPT pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) diante do critério excludente que resultou em impasse nas negociações com o banco.

Na reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito do dia 24 de fevereiro, a Caixa aceitou pagar um delta para todos os empregados elegíveis e manter o segundo delta de acordo com os critérios que o banco havia estabelecido no começo das tratativas com base no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). Essa proposta, no entanto, travou ante a posição da Caixa de vetar o pagamento do delta aos empregados e às empregadas que tiveram uma falta injustificada.

Punição

Para Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), a intransigência do banco em se recusar a incluir os empregados com falta injustificada cheira à retaliação. “É muito simbólica a posição da Caixa. É inevitável não interpretar a exclusão dos empregados com falta como punição aos bancários que participaram da paralisação nacional de 24 horas em abril do ano passado. A Caixa passa um recado subliminar a todos os empregados: ‘quem faz greve é punido’. Funciona como uma intimidação ao direito legítimo de todo trabalhador em fazer greve”, afirmou a diretora do Sindicato à época.

Greve 24h

No dia 27 de abril do ano passado, após assembleias em todas as bases sindicais, ficou decidido que os empregados e as empregadas da Caixa fariam uma paralisação de 24 ou retardariam a abertura das agências. No Espírito Santo a decisão foi pelo retardamento da abertura das agências, mas muitos estados optaram em fazer a paralisação de 24 horas.

Nos protestos de abril os empregados manifestavam insatisfação com a abertura de capital da Caixa Seguridade, com a PLR Social (pagamento estaria incorreto) e pediam medidas de segurança mais rigorosas contra a covid-19, pleiteando, inclusive, a inclusão dos bancários no grupo prioritário de vacinação. A contratação dos aprovados no concurso de 2014 também estava na pauta de reivindicações do ato de abril.

“O banco lançou este dia como sendo uma falta injustificada, mas a Justiça reconheceu o direito de greve e, inclusive, determinou que fosse mantido um percentual mínimo de funcionamento das agências”, observou a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.

Com informações da Contraf