Caixa: nova presidente segue política econômica privatista

30/06/2022 11:11

Daniella Marques integra o governo de Jair Bolsonaro (PL) desde o início do mandato e era sócia de Paulo Guedes antes das eleições de 2018

Após a saída do ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães, acusado de assédio sexual às bancárias da instituição, assume a direção do banco Daniella Marques, que integra o governo de Jair Bolsonaro (PL) desde o início do mandato e era sócia de Paulo Guedes antes das eleições de 2018. A nova presidente, portanto, é totalmente alinhada à política econômica privatista do ministro da Economia e do presidente Bolsonaro.

“Ela é braço direito de Paulo Guedes e tem bom trânsito no governo, segundo o noticiário. Isso nos preocupa, pois podemos sofrer um aprofundamento e aceleração da privatização da Caixa. Por sororidade, tenho esperança de que ela possa vir a fazer uma gestão menos nefasta”, afirma a diretora do Sindicato Lizandre Borges.

Por outro lado, a diretora lembra que apenas ter uma mulher na presidência não resolverá o problema de assédio, seja sexual ou moral, na Caixa. “Acho que o modelo de gestão que o banco adota, que é emanado do governo e adotado em todas as estatais, não mudará com a nomeação de uma mulher para a presidência. Mesmo porque as denúncias também dizem que vices-presidentes são assediadores sexuais igual ao Pedro Guimarães. Se não mudar toda diretoria…”, reflete a sindicalista.

Para o diretor do Sindicato Igor Bongiovani, tudo indica que a nova presidente “tem uma linha [de política econômica] ainda mais liberal que a de [Paulo] Guedes, comparável a da ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, que aplicou a ferro e fogo o liberalismo em sua gestão, destruindo por completo as políticas públicas e o sindicalismo britânico”. Ele acrescenta: “Continuaremos na batalha em busca do oposto ao que a gestão Bolsonaro faz na Caixa e no Brasil. Infelizmente, não é por ser uma mulher na direção do banco que os casos de assédio sexual e moral que assolam bancárias e bancários vão acabar”.

Trajetória

Conforme publicado pelo site UOL, formada em Administração de Empresas pela PUC-RJ e com MBA em Finanças, Daniella Marques começou a trabalhar com Guedes em 2012 e, no ano seguinte, os dois fundaram a gestora de recursos Bozano Investimentos – quando saíram, a empresa passou a se chamar Crescera Investimentos.

Em 2018, quando Paulo Guedes começou a formular o programa econômico do então candidato Bolsonaro, Daniella Marques seguiu o sócio. E após a eleição de Bolsonaro, ela passou a integrar, como única mulher, a equipe de 21 “supersecretários” montada por Paulo Guedes. Em 2019, assumiu o cargo de chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia. Atualmente, estava lotada na Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade da pasta.

O perfil descrito na matéria do UOL ainda aponta a nova presidente da Caixa como antissocialista e defensora do presidente Jair Bolsonaro, sobre quem costuma afirmar que “nunca o viu adotar posturas antidemocráticas”. Parece que a nova presidente da Caixa não enxerga muito bem.