Nesta quarta-feira, 6, durante a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional de 2022, o Comando Nacional dos Bancários entregou à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a proposta de Igualdade de Oportunidade, com destaque para o combate a toda forma de abuso no ambiente de trabalho, sobretudo o assédio sexual.

De acordo com a agenda previamente definida, “Cláusulas Sociais e Segurança Bancária” seriam os temas debatidos com os bancos na mesa desta quarta-feira. Entretanto, as recentes denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães levaram os representantes do Comando a antecipar a discussão.

“Não havia como seguir a ordem natural dos temas previstos na agenda depois que o escândalo de assédio sexual do ex-presidente da Caixa veio à tona. Essa discussão não poderia ser adiada. O Comando vai cobrar ações efetivas dos bancos para coibir toda forma de abuso no ambiente de trabalho”, afirmou o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também integra o Comando.

Na mesa de negociação, o movimento sindical apresentou à Fenaban quatro propostas de combate ao assédio: treinamento e formação do quadro para a promoção de debates sobre o tema; acolhimento das denúncias e apuração bipartite (banco e sindicato); proteção e assistência às vítimas; e punição dos culpados.

Segundo Carlão, os representantes da Fenaban se comprometeram a apresentar uma proposta de combate ao assédio sexual, em especial com o aperfeiçoamento de ferramentas de prevenção aos abusos no ambiente de trabalho.. “Os representantes dos bancos reconheceram que o assédio sexual é uma realidade e precisa ser enfrentado. Esperamos que a Fenaban apresente uma proposta efetiva contra essa violência e considere as reivindicações apresentadas na nossa minuta”, enfatizou o dirigente.

Impunidade inibe denúncias

Para subsidiar a discussão sobre assédio, o Comando apresentou dados da pesquisa realizada pela organização Think Eva/Linkedin, que entrevistou 414 mulheres de todas as regiões do país em 2020. A pesquisa aponta que 78% das vítimas de diferentes ambientes corporativos não denunciam o agressor porque temem que nada será feito (Veja gráfico abaixo). “A questão da impunidade é muito séria. Apurar minuciosamente os casos de assédio e punir os agressores com o rigor da lei é um dos pontos que apresentamos na proposta”, assinalou Carlão.

Além da certeza de impunidade, o medo de ser exposta e o descaso das pessoas sobre a agressão aparecem nas respostas de 64% das mulheres; o medo de demissão é o motivo para 60% das vítimas não denunciarem o assédio.

A pesquisa apontou ainda que 47% das entrevistadas afirmaram que já foram vítimas de assédio sexual. Nesse universo, as mulheres negras (52%) representam a maioria das vítimas; 49% das mulheres assediadas ganham entre dois e seis salários mínimos. Entre as entrevistadas que disseram desempenhar função de gerência, 60% admitiram ter sofrido assédio; entre as que exercem função de diretoria, o índice chegou a 55%.

A partir desses dados, destacou Carlão, foi possível fazer um debate firme e pedagógico com a Fenaban. “Tivemos recentemente essa denúncia envolvendo Pedro Guimarães, mas os casos de assédio não estão restritos à Caixa, mas aos bancos em geral. A pesquisa, que entrevistou mulheres de diferentes empresas e regiões do país, confirmou que esse crime acontece em todos os ramos profissionais”, assinalou o dirigente.

Igualdade de oportunidades

Eliminar desigualdades no local de trabalho e prevenir distorções atuais também foram temas tratados nesta terceira rodada de negociações. O Comando cobrou que seja reafirmado, por parte dos bancos, o compromisso de não discriminação, de respeito e da promoção de não discriminação por raça, cor, gênero, idade ou orientação sexual, no trabalho bancário.

A diversidade social e cultural se fundamenta no conceito de que as pessoas são diferentes em termos de gênero, orientação sexual, classe social, raça e etnia, religião, entre outros aspectos.

Pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre Igualdade de Oportunidades analisou a diversidade a partir desses diferentes recortes na categoria bancária.

A pesquisa do Dieese, destacando por exemplo o recorte de gênero, apontou (dados de 2019) que a bancária recebia 78% da remuneração do bancário. Há 10 anos esse percentual era de 77%, o que mostra que a desigualdade se mantém.

No recorte por raça, o levantamento do Dieese escancara que os bancos resistem em empregar negros e pardos. Em 2010, 78,8% dos trabalhadores bancários eram brancos, contra 14,6% de pardos e 2,2% de negros. Em 2019, o percentual de brancos caiu discretamente para 72,6%. A remuneração média entre negros e brancos também mantém um degrau abissal, que se aprofunda ainda mais em relação às bancárias negras. A remuneração média das mulheres negras é 59% menor que a média dos bancários brancos.

PcDs

As demandas da categoria bancária requerem a plena inclusão e integração de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência, combate à sua discriminação e a garantia de seu trabalho em condições dignas e com respeito a suas limitações ou recomendações médicas.

Entre as ações necessárias para o cumprimento da cláusula, estão cursos de formação, conhecimento de Libras por pelo menos um funcionário por setor, promoção de acessibilidade universal, subsídio à aquisição de seus equipamentos (cadeiras de roda, muletas, prótese, bengala, óculos, aparelho auditivo, órteses) e a concessão de transporte especial e de financiamento de veículo.

Calendário de negociações:

Sexta-feira, 22 de julho: Cláusulas Sociais e Teletrabalho
Quinta-feira, 28 de julho: Cláusulas Sociais e Segurança Bancária
Segunda-feira, 1º de agosto: Saúde e Condições de Trabalho
Quarta-feira, 3 de agosto: Cláusulas Econômicas
Quinta-feira, 11 de agosto: Continuação das Cláusulas Econômicas

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