Diretoras e diretores do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram virtualmente nessa terça-feira, 21, com delegados e delegadas da Caixa. Na abertura da reunião, a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima, fez um balanço dos primeiros 70 dias da gestão de Rita Serrano à frente da Caixa. Além do balanço, os dirigentes abordaram temas relacionados às condições de trabalho e fizeram atualizações sobre o andamento das discussões que são acompanhadas pela CEE-Caixa e pelo GT Condições de Trabalho.

No balanço desse início de gestão, um dos temas tratados foram as nomeações dos novos vice-presidentes. Rita Lima destacou aos delegados que algumas nomeações para as Vice-Presidências não corresponderam às expectativas. “Foram escolhidos nomes ligados à gestão Pedro Guimarães. Reforçamos aos delegados que é preciso manter a mobilização e redobrar a atenção da base em relação aos titulares de outras vices que ainda estão em processo seletivo”, pontuou a dirigente. 

Rita Lima acrescentou que o Sindicato está apoiando a gestão de Rita Serrano e do presidente Lula, mas disse que a entidade vai se manter autônoma e independente para fazer críticas e cobranças sempre que os interesses dos trabalhadores estiverem ameaçados.

A coordenadora-geral do Sindicato, ainda sobre o balanço da gestão de Rita Serrano, reconheceu que foram anunciadas medidas importantes, como a retirada da Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) como critério de avaliação, as mudanças no Banco de Oportunidade, que ampliou os critérios de seleção nas funções gratificadas, considerando de cinco para os últimos 10 anos e a restituição da Vice-Presidência de Pessoas. 

Volta da Vipes
Rita Lima lembrou que durante a gestão opressora de Pedro Guimarães, a Vipes foi embutida na Vice-Presidência de Logística e Pessoal (Vilop), perdendo sua importância e propósito. “Pedro Guimarães fez da Vipes um puxadinho, porque as demandas dos empregados não tinham vez na sua gestão. Não por acaso, Pedro Guimarães responde na Justiça por crimes de assédio sexual e moral contra as empregadas da Caixa”, criticou.

Para a dirigente, a restituição da Vipes era um dos pontos prioritários para os movimentos sindicais, associações e empregados e compromisso de Rita Serrano. “As ações da Vipes têm efeitos diretos nas condições de trabalho. Por isso alertamos os delegados e as delegadas sobre a importância de ficarmos atentos ao nome que será anunciado para assumir a Vice de Pessoas”, enfatizou. Até que o processo seletivo seja concluído, a Caixa indicou interinamente Rogério Saab, que estava na Diretoria de Organização e Estratégia, para a Vipes.

Delta
A discussão sobre um segunda delta, assunto que está na pauta da CEE-Caixa, também foi um tema abordado na reunião. “A gestão desastrosa de Pedro Guimarães não previu no orçamento da Caixa o pagamento de um segundo delta. A Caixa pagou apenas um delta linear para todos os empregados. Explicamos aos delegados que esta discussão tem de ser retomada com a atual direção da Caixa. É preciso garantir que o orçamento 2024 da Caixa contemple o pagamento de um segundo delta. Não podemos mais abrir mão desse direito”, sublinhou a dirigente sindical Lizandre Borges, que integra a CEE-Caixa.

Caixa-minuto
O Sindicato reafirmou aos delegados que desaprova o caixa-minuto. O diretor da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato Ronan Teixeira afirmou que em nove agências no Espírito Santo não há caixas efetivos. Nessas unidades, segundo ele, há bancários que atuam como caixa durante todo o mês, mas sem estarem efetivados na função. O dirigente explicou ainda como está a ação na Justiça do Sindicato que reivindica o fim da designação por caixa-minuto.

Ainda dentro do assunto Caixa, os delegados compartilharam com os dirigentes do Sindicato o descontentamento dos empregados que desempenham a função de caixa com a leitora da máquina. Eles explicaram que o problema na leitora tem causado uma sobrecarga no volume de digitação. 

Ronan lembrou que essa sobrecarga compromete o descanso legal de dez minutos de pausa a cada 50 minutos de digitação. Os dirigentes, ainda sobre a pausa, informaram aos delegados que nos últimos dias tem se intensificado o assédio de advogados a bancários da Caixa que desempenham função de digitação, especialmente os caixas. A abordagem dos advogados tem o propósito de convencer os empregados a ingressarem com ação na Justiça do Trabalho para requerer uma indenização pelos 10 minutos de pausa que não estariam sendo gozados. 

O Sindicato orienta os bancários e as bancárias que procurem orientação exclusivamente junto à Secretaria Jurídica da entidade que oferece assessoria gratuita aos associados. Mesmo o empregado que ainda não é sindicalizado pode se associar e em seguida ingressar com a ação. 

NR-17
Os delegados trouxeram para o debate a Norma Regulamentadora 17 (NR-17), que estabelece as diretrizes e os requisitos que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente no trabalho. Segundo os delegados, a norma também prevê o descanso intrajornada para além da função de digitação. Os representantes do Sindicato ficaram de analisar a NR-17 e submetê-la à apreciação do GT Condições de Trabalho e da CEE-Caixa.

PLR
O Sindicato atualizou os delegados sobre as discussões que estão em andamento na Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa). A dirigente sindical Lizandre Borges, que integra a CEE-Caixa, explicou que ainda esta semana a Comissão se reúne com representantes da instituição para discutir PLR, condições de trabalho e a nova estrutura da Caixa. 

Reunião com Rita Serrano
Lizandre também fez um resumo da reunião do Comando Nacional dos Bancários com a presidenta Rita Serrano. Segundo a dirigente, Rita Serrano garantiu seu compromisso em não vender nenhum ativo do banco, também confirmou o fim da Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) como critério de avaliação de pessoal e a restituição da Vipes. 

Nessa parte da reunião de atualizações sobre as discussões em andamento, Ronan, que é integrante do GT sobre Condições de Trabalho, fez um resumo da primeira reunião ocorrida no início de março. Ele disse que novas contratações, garantia do teletrabalho e demandas dos bancários com deficiência foram algumas das reivindicações que dominaram a pauta nesse primeiro encontro. O dirigente informou que a próxima reunião do GT está agendada para o dia 4 de abril.

Os dirigentes sindicais também repercutiram com os delegados a eleição de Humberto Passos Coelho para o Conselho de Usuários do Saúde Caixa, e os desafios dos novos conselheiros para manter as bases do plano: sustentabilidade, eficiência e transparência.

Perspectivas
Os diretores e as diretoras do Sindicato reforçaram aos delegados e às delegadas que, apesar do início um pouco tumultuado da nova direção da Caixa, há uma expectativa positiva em relação à gestão de Rita Serrano. Para os dirigentes, a expectativa é que Rita Serrano consiga fazer a virada tão necessária na Caixa, depois do legado de terra arrasada do governo Bolsonaro e da gestão de Pedro Guimarães. “Como a própria Rita Serrano disse em sua posse, queremos novos ares para a Caixa e o fim da era do medo”, pontuou Ronan Teixeira. 

O dirigente acrescentou ainda que nos últimos anos os empregados e as empregadas da Caixa têm sofrido os efeitos deletérios dessa política perversa contra o trabalhador, que se intensificou sob Bolsonaro. “Nos últimos anos, fomos obrigados a adiar a luta para a conquista de novos direitos para defendermos a manutenção de direitos que havíamos conquistado há anos. Agora é o momento de nos unirmos e ousarmos lutar novamente para conquistar direitos”, enfatizou Ronan aos delegados e às delegadas sindicais.