A campanha nacional “Menos Metas, Mais Saúde” chama você, bancário, para uma conversa sobre como estão as condições de trabalho na sua agência ou departamento. Por meio do formulário #BoraConversar, disponibilizado pelo Coletivo Nacional de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a campanha pretende levantar a opinião dos bancários sobre as metas estabelecidas pelos bancos, as principais dificuldades enfrentadas no cotidiano. Também pede que os trabalhadores compartilhem como é rotina no ambiente de trabalho.
Ações nos bancos
O Sindicato dos Bancários do Espírito Santo está realizando ações nas agências para divulgar a campanha e mobilizar os bancários. Nesta quinta-feira, 1º de junho, diretores do Sindicato estão em Colatina, percorrendo as agências da Caixa, Santander, Banestes, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco. No último dia 23, o Sindicato percorreu agências do Banestes, do Banco do Brasil e da Caixa do Centro de Vitória dialogando com bancários e clientes sobre como o modelo de gestão dos bancos tem adoecido a categoria.
“Não podemos naturalizar o adoecimento dos bancários. Trabalho tem que ser promessa de vida. Os bancos não podem ter lucros exorbitantes sugando a saúde da categoria. Por isso estamos nas ruas com essa campanha. É por respeito, saúde e menos pressão no trabalho”, afirma o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários, no lançamento da campanha, no dia 11 de abril.
Abusividade
A Campanha Menos Metas, Mais Saúde chama a atenção para a necessidade de mudar o modelo de organização do trabalho bancário — um modelo baseado na cobrança abusiva de metas, associadas principalmente à venda de produtos (seguros, previdência privada, cartões, etc.). Além de serem muitas vezes inatingíveis, as metas causam uma pressão que atravessa toda a estrutura organizacional dos bancos, culminando em práticas de assédio moral que geram adoecimento físico e mental nos diversos níveis hierárquicos.
Dados apresentados pela Contraf revelam como os casos de adoecimento aumentaram na categoria. Nos últimos cinco anos, o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%, ou seja, entre os bancários a variação foi 1,7 vezes maior do que na média dos outros setores. Nos afastamentos acidentários (B91) as doenças mentais e comportamentais saíram de 30% em 2012 para 55% em 2021 e as doenças nervosas saíram de 9% para 16%.


