
Carlão fala da importância do Sindicato aos bancários e às bancárias (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
O Sindicato dos Bancários/ES está completando 92 anos nesta segunda-feira (12). Para marcar a data, dirigentes percorreram algumas agências em Vitória para lembrar à categoria bancária que o Sindicato é o principal instrumento de luta em defesa da classe trabalhadora e da democracia. “Se tem sindicato, têm direitos”, estampava um dos dizeres da faixa comemorativa dos 92 anos.
O coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), destacou a importância da entidade nessa jornada quase centenária de resistência e luta. Nesses tempos de ataque à democracia, Carlão afirmou que o Sindicato, ao longo da sua história, foi um defensor incondicional da democracia e das pautas de interesse da categoria bancária e da classe trabalhadora em geral. “Por isso, agora, nos colocamos ao lado dos trabalhadores pelo fim da jornada 6X1, uma nova forma de escravização da classe trabalhadora”, protestou.

O dirigente Jonathas Corrêa pontuou as conquistas do Sindicato aos funcionários e às funcionárias do Santander
O dirigente disse que a categoria bancária também luta pela redução da jornada. “A luta pela semana de quatro dias é uma das pautas centrais da categoria bancária na campanha deste ano. Os bancos têm total condição de usar os avanços tecnológicos em benefício do trabalhador. Reduzir a jornada do bancário é uma questão de saúde. Nossa categoria, mostram as pesquisas, registra os maiores índices de adoecimento em comparação a outros setores. É inaceitável que os bancos usem a tecnologia sempre a favor deles para acumular mais capital e sempre deixem os trabalhadores de fora. Basta de metas abusivas e adoecedoras”.
Jonathas Corrêa, funcionário do Santander, enalteceu a capacidade do Sindicato de compreender a categoria bancária como parte da classe trabalhadora que busca por transformações sociais estruturais em diferentes frentes de luta: saúde, educação, direitos humanos, justiça social, meio ambiente, entre outras.
Greve: direito legítimo
Carlão acrescentou ainda que o ano de campanha salarial é sempre desafiador e exige mais engajamento e mobilização da categoria. “Será uma campanha difícil. Se preciso, temos que recorrer à greve, que é também um direito conquistado por todos nós trabalhadores”.

Fabrício lembrou aos bancários que a greve é um instrumento de luta legítimo, que deve ser usado quando necessário
Valer-se do instrumento de greve na campanha deste ano também é um recurso considerado pelo dirigente Fabrício Coelho. “A greve é o principal instrumento de luta e defesa da classe trabalhadora”. Ele ressaltou que o sindicato está na raiz de todos os direitos que a classe trabalhadora tem conquistado. Fabrício citou como exemplo a conquista da Convenção Coletivo de Trabalho da categoria bancária.
O dirigente também falou sobre o papel do movimento sindical na defesa da democracia. “O Sindicato foi importante quando não tínhamos democracia e segue sendo importante quando a temos. É preciso sempre lembrar o que tínhamos de direitos na ausência da democracia, e o que temos com ela”, comparou.
As dirigentes Vanessa Espíndula e Nathalia Galini também destacaram o papel do Sindicato dos Bancários nas lutas e lembraram algumas conquistas que se tornaram históricas ao longo desta longa jornada de 92 anos. Nathalia recordou de conquistas como a PLR, jornada de seis horas e o piso salarial unificado. Vanessa destacou a licença maternidade de seis meses, a licença paternidade e a manutenção do Banestes público e estadual, banco do qual ela é funcionária.

Vanessa relembrou de algumas conquistas e destacou a luta do sindicato para manter o Banestes público e estadual
Vanguarda
Ronan Teixeira, secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, afirmou que o Sindicato está na vanguarda da luta por direitos, principalmente depois de o governo Temer conseguir aprovar a reforma trabalhista, que retirou uma série de direitos da classe trabalhadora. Ronan, que também é integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, disse que muitos dos direitos conquistados depois da reforma trabalhista foram obtidos pelo movimento sindical na mesa de negociação.

Para Ronan, Sindicato tem um papel de vanguarda no movimento sindical
A dirigente Rita Lima, empregada aposentada da Caixa, falou sobre o quanto a data de 12 de janeiro é especial. “Comemoramos os aniversários do Sindicato e da Caixa”. Ao falar sobre os 92 anos do Sindicato, ela destacou os princípios classistas e a tradição de luta da entidade. “Nessa jornada enfrentamos e resistimos aos anos de chumbo da ditadura cívico-militar, certamente um dos períodos mais difíceis e desafiadores para o movimento sindical. Fomos para as ruas sempre que a nossa democracia esteve sob ameaça. Estivemos na linha de frente quando o povo brasileiro reconquistou a democracia. Fizemos greves duríssimas para quebrar a intransigência dos bancos, como a histórica greve de 1985, considerada a maior greve nacional pós-ditadura. Muitas dessas lutas resultaram em conquistas históricas para a categoria”, assinalou Rita.

Nathalia destacou alguns direitos conquistados pelo Sindicato ao longo dos 92 anos
Carlão completou: “Esses 92 anos de história nos ensinou que o capitalismo nunca nos deu e nunca nos dará nada voluntariamente. Ao contrário, quanto mais ele puder tirar do trabalhador, ele tira. As conquistas precisam ser arrancadas dos bancos. Por isso, quando os companheiros e as companheiras reforçam que a greve é um instrumento legítimo de luta, eles estão alertando à categoria que, se preciso for, devemos recorrer à greve. Ano de campanha salarial é sempre desafiador para o movimento sindical. Mas com mobilização e engajamento, podemos fazer a diferença. Queremos voltar no ano que vem para comemorar os 93 anos do Sindicato e as novas conquistas da campanha salarial de 2026”, desafiou Carlão.








