Bancários e Bancárias da Caixa no ES aceitaram proposta sob críticas

30/09/2020 15:11

Em assembleia histórica, empregados da Caixa no ES inicialmente rejeitaram a proposta, que só seria aceita, sob críticas, após as outras bases sindicais do país se manifestarem pela aprovação

Desde o início da pandemia é consenso que os bancários e as bancárias da Caixa são os mais expostos à covid-19 em relação ao restante da categoria. Os empregados da Caixa passaram a ficar ainda mais vulneráveis ao vírus a partir da segunda quinzena de abril, quando o banco iniciou o pagamento do auxílio emergencial. Mesmo com pouca informação sobre o vírus que se espalhava em ritmo alucinante no Brasil nos primeiros meses da pandemia, os empregados da Caixa foram para linha de frente honrar o histórico compromisso social do banco. Cada vez mais pressionados e sob jornadas de trabalho cada vez mais extenuantes, bancários e bancárias da Caixa já pagaram o auxílio emergencial para mais de 65 milhões de pessoas, sem contar os outros benefícios sociais que também são pagos pelo banco.

Todo esse esforço dos empregados, porém, foi solenemente ignorado pela Caixa nas mesas de negociações durante a campanha salarial deste ano. Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, o reconhecimento não veio. Ao contrário, ela afirma que a Caixa tirou direitos. A dirigente deu como exemplo as mudanças impostas no custeio do Saúde Caixa, que podem, em pouco tempo, inviabilizar o plano para grande parte dos associados. “Mexer nas regras do Saúde Caixa em plena pandemia foi um golpe baixo, uma covardia. Na negociação, a Caixa impôs como condição para fazer a inclusão no plano dos novos empregados as mudanças no custeio. Isso tem um nome específico, chama-se chantagem”, critica Rita Lima.

Assembleia histórica

Nas negociações específicas com a Caixa, apesar das perdas, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) recomendou a aprovação da proposta. Entretanto, bancários e bancários do Espírito Santo rejeitaram a proposta da Caixa. Duas assembleias consecutivas (31/08 e 01/09) marcariam a posição de luta dos empregados capixabas. Na primeira, 304 (72%) empregados votaram pela rejeição da proposta. Ficou decidido que os empregados voltariam a se reunir no dia seguinte (1) para avaliar os resultados das assembleias nos outros estados e deliberar se mantinham ou não a rejeição à proposta.

A diretora do Sindicato, Lizandre Borges, que conduziu a assembleia do dia seguinte (01/09), informou que a diretoria do Sindicato havia se reunido horas antes e formou consenso que aceitaria com críticas a proposta da Caixa. “Após avaliarmos o cenário de votação Brasil, entendemos que teríamos de aceitar o acordo, mas com críticas. Tínhamos consciência que não teríamos como propor e tampouco segurar uma greve isoladamente”. Lizandre observou que na assembleia do dia anterior havia uma expectativa de que os grandes centros também recusassem a proposta, o que não ocorreu. A votação pela aprovação da proposta em São Paulo foi apertada (52%), mas na maioria dos estados girou em torno de 70%.

Para a dirigente Rita Lima, a retumbante votação pela rejeição da proposta mostrou que 72% dos bancários do Espírito Santo entenderam que a proposta da Caixa era ruim porque retirava direitos da categoria. A dirigente fez questão de destacar a representativa participação nas duas assembleias. Cada uma registrou em média mais de 400 participantes.

Na segunda assembleia, 74% dos empregados que votaram decidiram aceitar o acordo, seguindo a posição do Sindicato que apontou a inviabilidade de empreender isoladamente uma greve

“Independentemente da segunda votação, circunstancial porque levou em conta o cenário nacional, foram duas assembleias históricas. Não podemos deixar de elogiar a participação expressiva e a consciência da maioria dos empregados. Nas falas, havia quase um consenso de que a proposta da Caixa representa perdas de direitos para a categoria, destaca.

Rita Lima acrescentou que a luta é feita de avanços e retrocessos. “Às vezes a gente é obrigado a recuar para se organizar melhor e voltar mais forte para a próxima batalha. O importante é estarmos unidos e prontos para as próximas lutas. Temos que continuar defendendo a Caixa que segue sob ameaça constante, agora com a MP 995, que libera a venda fatiada do banco abrindo caminho para a privatização. Vamos em frente. A luta continua”.