A manifestação contra o fechamento da agência Banestes Graciano Neves reuniu bancários, clientes, representantes de entidades do comércio do Centro de Vitória e moradores da região na manhã desta sexta-feira, 13. Um café da manhã foi servido em frente à unidade do banco e todos que passaram foram convidados a aderir ao abaixo-assinado pela manutenção da agência. Foram distribuídos biscoitos doces popularmente chamados de “mentiras”, simbolizando a quebra de compromisso do governador Renato Casagrande que, quando candidato, assinou um documento garantindo que não iria privatizar o Banestes nem adotar medidas para seu enfraquecimento.
A proposta do governo agora é o fechamento da unidade a partir de 10 de janeiro. A agência está instalada há mais de 40 anos no local e atende a cerca de 6 mil correntistas. “Se isso ocorrer mesmo, vai prejudicar a gente que mora na região. Não podemos deixar!”, afirmou o estivador Épio Meireles de Souza, vizinho da agência.
“Seria horrível. Faço depósito, pagamento e até mando para cá clientes que não tenho como atender. Além disso, o fluxo de pessoas na região vai diminuir sem o Banestes aqui”, diz Tânia Castro Souza, dona de uma loja que trabalha com empréstimo consignado. Citando nomes de bancários que trabalham na agência, ela complementa: “Os funcionários são excelentes, o atendimento aqui é de qualidade. A agência tem que ser mantida”.
Dono de um restaurante que funciona há 32 anos no Centro, José Carneiro compareceu à manifestação, aderiu ao abaixo-assinado e afirmou: “Não tem explicação para o fechamento desta agência. Foi toda remodelada, o gerente está fazendo um ótimo trabalho, a equipe é muito profissional. O Banestes aqui traz segurança e estimula o comércio. O Poder Público diz que quer revitalizar, mas retira tudo daqui?”, questiona.
Para a produtora cultural Stael Magesck, além do prejuízo para a economia da região e a praticidade para quem mora no entorno, os idosos serão os mais prejudicados. “Há muitos velhinhos que frequentam essa agência, eu vejo sempre. Eles vão ter que caminhar até a Praça Oito?”, reflete.
Stael Magesck também destaca: “Essa agência faz parte da identidade do Centro de Vitória, está aqui há décadas. É uma agência pequena em tamanho, mas grande em afeto. Os moradores do Centro se encontram na agência. E os funcionários são parceiros da comunidade. Como ficarão esses trabalhadores e suas famílias? Desempregados? Temos que pensar nisso também. O fechamento só trará prejuízo, nenhum benefício”.
Geraldo Uliana, 73 anos, e Eleonora Uliana, 66 anos, moradores e donos de um bar no Centro, marcaram presença na manifestação e subscreveram o abaixo-assinado. “Eu sou cliente desde que abriu essa agência. Nem lembro em que ano foi”, disse ele. A notícia do possível fechamento irritou Seu Gegê, como é conhecido. “O Centro está praticamente morto. Querem acabar com o pouco que resta? Se fechar, o Banestes vai perder clientes para os bancos que têm agências mais próximas. Porque usar o Banesfácil, sem segurança e com fila na rua, ninguém vai querer. Temos que manter essa agência”.
CDL e União de Lojistas
Os comerciantes que não puderam comparecer estiveram representados pelo diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL) Sidney da Costa Ferreira. Ele, que também é vice-presidente do Sindicato do Comércio de Vitória e presidente da União dos Lojistas do Centro, destacou que o possível fechamento da agência Graciano Neves seria uma imensa perda para a região, tanto para moradores e clientes quanto para os comerciantes.
“Muita gente saca dinheiro para usar no comércio local. O Governo do Estado está querendo trazer instituições públicas para o Centro e vem essa notícia do fechamento da agência, que vai na contramão da proposta de revigorar a região. Vamos buscar entender o que está acontecendo e tentar, junto com o Sindicato, evitar que a agência feche”, afirmou Sidney Ferreira.
Apoio parlamentar
O vereador Roberto Martins (PTB) esteve na manifestação e reafirmou o apoio à luta dos bancários, clientes e comerciantes contra o fechamento da agência. Ele falou da criação da comissão parlamentar após a denúncia do Sindicato na Câmara Municipal. Essa comissão vai tentar mediar uma conversa com o governador Renato Casagrande e a direção do Banestes no sentido de reverter a decisão de fechar a Graciano Neves.







