Bancários vestem preto e exigem condições de saúde no BB

27/01/2022 12:49

Marcando presença no Dia Nacional de Luta pela Saúde dos Funcionários do BB, os bancários capixabas realizaram ato em frente ao Banco do Brasil da Praça Pio XII

Foto: Zanete Dadalto

Os bancários capixabas realizaram ato em frente ao Banco do Brasil da Praça Pio XII nesta quinta-feira, 27, marcando presença no Dia Nacional de Luta pela Saúde dos Funcionários do BB. Vestidos de roupas na cor preta, com cartazes, faixas e balões, diretores do Sindicato denunciaram o relaxamento, por parte da direção do banco, dos protocolos para evitar a disseminação da covid-19 nas unidades do Banco do Brasil.

Medidas como afastamento dos bancários aos primeiros sinais de contaminação pelo vírus SARS-CoV-2, fechamento da agência para sanitização e manutenção do rodízio de funcionários foram abandonadas pelo banco. Além disso, os funcionários continuam sendo pressionados a cumprir metas de produção num momento em que precisam recuar no contato com os clientes para proteger a saúde.

“Nós estamos aqui em protesto contra as condições de trabalho, contra a pressão e o assédio por metas. Queremos lembrar à direção do Banco do Brasil que a pandemia não acabou. É obrigação do BB zelar pela saúde dos trabalhadores e não visar somente o lucro”, afirmou a diretora do Sindicato Goretti Barone.

Segundo ela, por conta do não cumprimento dos protocolos, há uma explosão de casos de covid-19 no Banco do Brasil. “Já pautamos na mesa da Fenaban [Federação Nacional dos Bancos] a necessidade dos cuidados. É preciso exigir o passaporte da vacina para clientes e funcionários, reduzir o tempo de atendimento ao público e cumprir os protocolos da Organização Mundial da Saúde. Conclamamos também todos trabalhadores e trabalhadoras que cuidem de si e dos seus colegas, que procurem fazer o melhor para que a gente saia dessa pandemia com menos adoecimento e sequelas”, afirmou.

Fala cliente

Para o policial militar reformado e cliente do BB João Batista Ramos de Almeida, “a segurança em relação à pandemia está fraca” nas agências. “Sou cliente há muito tempo. O Banco do Brasil é respeitado, atende muito bem, me sinto feliz pelo tratamento que recebo. Mas os governantes têm que olhar com mais carinho para funcionários e clientes porque essa doença mata. Perder um amigo dói muito”, afirmou. Perguntado sobre as deficiências que percebe, ele afirmou: “É muita gente e não tem muito espaço para clientes e funcionários. A pessoa deveria ser atendida com horário marcado, tanto o idoso quanto os demais”.

A diretora do Sindicato Rita Lima ressaltou durante o ato na Pio XII “a postura desumana da direção do BB não só com os funcionários, mas com os clientes” ao desrespeitar os protocolos de saúde. “É bom que vocês saibam para que redobrem os cuidados individuais”, falou ela aos clientes que aguardavam na fila para entrar na agência. E continuou: “essa cepa tem alto nível de contaminação. O banco é uma caixa de cimento fechada com ar condicionado. Se tem uma pessoa doente, o vírus vai ficar circulando ali. Não tirem a máscara em hipótese alguma e limpem as mãos”.

Rita Lima lembrou que o BB “está tendo uma postura negacionista” diante da pandemia ao não cumprir protocolos, não isolar as pessoas nos primeiros sintomas e não exigir passaporte vacinal. “Se não tirar a pessoa com sintoma de circulação, aumenta a propagação do vírus. Os bancários estão trabalhando com medo de se contaminar, com medo de morrer. Além disso, querem que os trabalhadores cumpram metas absurdas em plena pandemia”, reafirmou.

Favorecimento

Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato e da Intersindical, falou da rotina de protestos no BB, resultado da política do Governo Bolsonaro que não respeita trabalhadores e clientes e negligencia os cuidados com a doença. Casagrande lembrou da utilização do banco público para o favorecimento dos grandes proprietários rurais ao reduzir o valor das dívidas desse segmento.

“O Banco do Brasil existe para dar suporte ao desenvolvimento do país, para financiar a pequena propriedade, que é o setor da agricultura que mais contribui na produção de alimentos. Esses estão à mingua por falta de condições de trazer seus alimentos para a cidade por conta da pandemia. Enquanto isso, a direção do BB quer investir nos grandes proprietários que plantam soja para tratar cavalo na Europa”. E complementou: “Estaremos em luta enquanto o BB não respeitar clientes e bancários e deixar de cumprir com seu papel social de investir no desenvolvimento do país”.

Fotos: Zanete Dadalto