O colapso sanitário no Amazonas, em janeiro, era o prenúncio de que uma nova variante mais transmissível e agressiva poderia provocar um efeito dominó país afora em pouco tempo. Em fevereiro e março as curvas da doença subiam rapidamente pressionando os sistemas de saúde do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo e de outros estados, que foram um a um anunciando medidas restritivas como uma única maneira de conter o vírus.
Na última quinta-feira, 18, foi a vez do Espírito Santo anunciar uma quarentena para tentar conter a circulação do vírus e reduzir os índices de internação dos hospitais. Tarde demais, 72 horas após o anúncio das medidas restritivas o Governador do Estado reconheceù o colapso em 8 hospitais, entre eles o Jayme dos Santos Neves – maior retaguarda de leitos de UTI para a covid no Estado.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, o aumento exponencial de casos e o colapso do sistema de saúde são sinais de que o Espírito Santo, como os outros estados do país, enfrenta a fase mais crítica da pandemia. “Estamos preocupados logicamente com toda a categoria, uma vez que as agências bancárias, de acordo com o decreto do governador Renato Casagrande, foram classificadas como serviços essenciais. Mas há uma apreensão maior com os empregados e empregadas da Caixa. Estamos às vésperas da volta do pagamento do auxílio emergencial, que deve ser retomado em abril, com variantes novas circulando e o sistema de saúde (público e privado) colapsado”.
A dirigente acrescenta que a segunda fase do auxílio deve ser muito mais caótica que a primeira. “Algumas vozes vão ponderar que a Caixa já tem as contas cadastradas e a experiência do ano passado. Mas temos que lembrar que estamos no momento mais crítico da pandemia, que coincide com o agravamento da crise socioeconômica, que gera desemprego recorde no país. Tem muita gente passando fome, contando os dias para receber esse dinheiro. O que muita gente não sabe, porém, é que o auxílio deverá ser pago só à metade dos 60 milhões de beneficiados em 2020. Quando liberar, será uma corrida à Caixa. Provavelmente os mais de 30 milhões de brasileiros que não receberão o auxílio vão também para as agências tentar a sorte. A revolta dessas pessoas acabará recaindo no empregado da Caixa, que não tem nada a ver com isso. Se isso acontecer, será um caos completo”, alerta Lizandre.
Cumprimento dos protocolos
Lizandre, que também faz parte da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, afirma que houve um esforço da CEE nas últimas semanas no sentido de cobrar do banco mais rigor no cumprimento dos protocolos sanitários da covid nas agências, aumento do número de empregados em home office, o fim das cobranças por metas e o atendimento apenas a serviços essenciais. “As cobranças foram feitas, mas o melhor fiscal para cobrar a aplicação das medidas é o próprio empregado”.
A dirigente orienta que o empregado deve informar o Sindicato ao flagrar qualquer desvio. “As medidas sanitárias devem ser rigorosamente observadas. O cumprimento do protocolo à risca, nessa fase mais crítica da pandemia, pode ser a diferença entre a vida e a morte. Não é exagero. Os estudos têm apontado que de cada 10 pacientes internados na UTI, em média, oito morrem. Ou seja, 20% é um prognóstico bem desalentador. Mas a situação é tão crítica que não sabemos se amanhã o paciente terá sequer um leito de UTI para lutar pela vida”.
“Quero atender”
Segundo a dirigente, é muito importante que o empregado se recuse a fazer um serviço sempre que os protocolos sanitários estiverem sendo negligenciados, assim como é fundamental dizer não ao assédio que impõe o cumprimento de metas em plena pandemia. Ela diz que os empregados que aderiram ao “Quero Atender”, por exemplo, deveriam deixar o programa e solicitar o retorno para o home office. “Isso vale para empregados de qualquer faixa etária. Essa fase da doença tem mostrado que o risco de contágio e complicações não escolhe mais idade. Obviamente que os empregados com comorbidade, mais vulneráveis, que por ventura aderiram ao programa e retornaram às agências devem pedir a volta ao teletrabalho urgentemente. É preciso cobrar também dos gestores a aplicação do rodízio que, sabemos, tem sido flexibilizado. Não abram mão do rodízio”, recomenda.
Responsabilidade é da Caixa
A Caixa em plena pandemia vem fechando postos de trabalho. Em 2020, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fechou 2.611 postos de trabalho, encolhendo para 81.945 o número de empregados. A dirigente afirma que o presidente Pedro Guimarães vem reduzindo ano a ano o quadro de pessoal.
“Essas demissões têm impactos na ponta do atendimento. Agora, em meio ao momento mais agudo da pandemia, dificultam rodízio, pressionam o empregado para retornar para agência. Mas o empregado não deve aceitar esse assédio que vem revestido de palavras de motivação dentro da narrativa barata de Guimarães da ‘família Caixa’. O empregado precisa entender que ele não pode ser responsabilizado pela política de enxugamento da Caixa e aceitar fazer o serviço de dois ou três colegas. A responsabilidade em não repor os quadros de pessoal é única e exclusivamente da Caixa. O momento é de preservar vidas e não priorizar metas e lucro”, enfatiza Lizandre.
Serviços essenciais
Lizandre relata que nas reuniões com as Superintendências Regional e Estadual da Caixa, o Sindicato reivindicou que o atendimento seja restrito a serviços considerados essenciais, com o intuito de reduzir a circulação de pessoas nas agências. Segundo a dirigente, é importante que o banco não dê atribuições aos empregados além das essenciais, que estão definidas no Caixa Informa (veja abaixo). “Os empregados que receberem tarefas não classificadas como essenciais, devem procurar o Sindicato e denunciar, assim como o não cumprimento dos protocolos sanitários por parte do banco também deve ser denunciado”.


