Atualizado em 21/04, às 10h47
Na contramão do isolamento social neste momento de pandemia por coronavírus, a Caixa Econômica Federal convocou os empregados para trabalhar nesta terça-feira, 21, feriado do Dia de Tiradentes, e no próximo sábado, dia 25. No Espírito Santo, os bancários das sete agências que vão abrir foram comunicados do trabalho extraordinário no meio do feriado prolongado, já que nesta segunda-feira é comemorado no Estado o Dia de Nossa Senhora da Penha.
O Sindicato dos Bancários/ES é contra a convocação e vai acionar os meios legais para impedir a medida, que classifica como uma “arbitrariedade da Caixa”.
“A Caixa fere a jornada semanal de trabalho dos bancários, que é de segunda a sexta-feira; suspende abruptamente um dia de descanso já previsto no calendário de feriados nacionais e estaduais e ainda desloca a categoria em dias atípicos quando a orientação é de isolamento social. Fica claro o desprezo do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e do presidente Jair Bolsonaro para com os empregados do banco”, critica a diretora do Sindicato Lizandre Borges.
O argumento da Caixa para o trabalho extraordinário é o pagamento do auxílio emergencial à população prejudicada pela pandemia. “A medida é inócua, pois nem sequer foi anunciada com antecedência. E se houver divulgação, o problema se agrava, pois, no dia a dia, a população procura a agência mais próxima de casa para resolver qualquer questão no banco, e com o pagamento emergencial já está tendo um grande fluxo. Abrindo algumas agências em horário especial, o banco vai provocar a aglomeração de pessoas e tumulto, tudo o que não precisamos neste momento de risco de contágio por coronavírus”, afirma Borges.
Para o Sindicato, o banco tem condições de realizar o pagamento dos benefícios sociais sem ampliar a jornada da categoria e a exposição dos bancários neste período de pandemia.
“O banco precisa criar alternativa para não gerar aglomerações e filas nas agências. Agendar os atendimentos, por exemplo, é uma solução simples, que não está sendo implementada. Enquanto isso, o banco segue impondo aos bancários o trabalho de organização das filas e de triagem de público no exterior da agência, o que configura outra ilegalidade, já que este não é o local de trabalho do bancário”, pontua a dirigente sindical.
Para a diretora, a política da Caixa gera insegurança para bancários e clientes e busca mais dar uma resposta midiática sobre as ações do governo do que propriamente atender a população.
Ela ressalta que os empregados da Caixa nunca se furtaram a trabalhar para fazer cumprir o papel social do banco. “Neste momento, no entanto, é necessário buscar preservar a vida dos bancários e dos próprios beneficiários dos programas sociais da Caixa”, lembrando que o coronavírus já contaminou diversos empregados do banco pelo País, fazendo inclusive vítimas fatais — uma delas no Espírito Santo, o gerente da Caixa São Mateus, Marcos Antônio Vieira dos Santos Filho, falecido no dia 4 de abril.









