O Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quarta-feira, 20, marca a morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência contra a escravidão no Brasil. Cento e trinta e um anos após a assinatura da Lei Áurea, no entanto, o que se vê são resquícios da ação de desumanização de negros e negras, que continuam sendo oprimidos, mortos e deixados à margem da sociedade.
“A escravidão está presente ainda hoje nas desigualdades de rendimentos e na ocupação de cargos de chefia para os negros e negras que estão empregados, na violência à mulher negra, no acesso a emprego, educação, saúde, moradia, ou seja, em todo lugar encontramos traços de discriminação racial”, afirma a diretora do Sindicato Rita Lima.
Dados do IBGE relativos a 2018 publicados na última quinta-feira, 14, revelam o quadro de desigualdade no país. Segundo o levantamento, o rendimento médio mensal das pessoas brancas ocupadas (R$2.796) foi 73,9% superior ao da população preta ou parda (R$1.608).
Outro número que chama a atenção diz respeito aos cargos gerenciais. O IBGE revela que quanto mais alto o rendimento, menor é a ocorrência de pessoas pretas ou pardas ocupadas em cargos gerenciais. Na classe de renda mais elevada, somente 11,9% das pessoas ocupadas com cargos gerenciais eram pretas ou pardas e 85,9%, brancas. “Nos bancos vemos isso. É uma minoria de negras e negros entre os bancários. Em cargos de chefia então é uma raridade”, diz Rita Lima.
O IBGE também aponta que “pretos ou pardos são mais atingidos pela violência. Em todos os grupos etários, a taxa de homicídios dos pretos ou pardos superou a dos brancos”.
A diretora do Sindicato lembra que a situação torna-se ainda grave quando o presidente Jair Bolsonaro e sua base parlamentar adotam medidas desprotetivas, por meio, por exemplo, da reforma da Previdência e da Medida Provisória 905, que reduz direitos trabalhistas.
“O racismo estrutural existente no Brasil precisa ser combatido todos os dias nas frentes de luta dos trabalhadores”, afirma Rita Lima. Ela lembra, ainda, da importância de reafirmar, neste 20 de Novembro, “o passado de luta do povo negro por um Brasil sem racismo e com igualdade de oportunidades; e que se respeite as contribuições que o povo negro deu à construção econômica, social e cultural deste país”.









