Motta recorre à violência para coibir protesto legítimo de Glauber

10/12/2025 16:18

Presidente da Câmara reeditou o modus operandi dos anos de chumbo para impedir que o deputado defendesse seu mandato 

Deputado Glauber é violentamente retirado da Mesa Diretora (Foto: reprodução)

As cenas de violência registradas na Câmara contra o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) entram para as páginas infelizes da nossa jovem democracia, que tomou mais um golpe nesta terça-feira (09). Antes do início da sessão, Glauber ocupou a Mesa Diretora em protesto à manobra que estava sendo urdida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), para pôr em votação a cassação do mandato do parlamentar. Chamou a atenção a truculência com que a Polícia Legislativa agiu para retirar Glauber à força da cadeira. 

“Ontem foi 09 de dezembro. Mas foi inevitável não fazer paralelo com o dia 13 de dezembro de 1968. Data em que o presidente Costa e Silva decretou o AI-5 [Ato Institucional Número 5]. As cenas que assistimos na Câmara reeditam o modus operandi do período mais violento da ditadura, os chamados anos de chumbo. Por decisão de Motta, a Polícia Legislativa recorreu à força bruta para retirar da Mesa Diretora um deputado eleito legitimamente pelo povo. Um parlamentar que, como poucos, honra o seu mandato e defende incondicionalmente os interesses do povo brasileiro”, afirmou o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão). A polícia de Motta agrediu também as deputadas Sâmia Bomfim [PSOL-SP] e Célia Xakriabá [PSOL-MG]. Além disso, Motta cortou o sinal da transmissão da TV Câmara, em mais um ato autoritário típico de regimes ditatoriais. Não faltou também a censura à imprensa que tentava cobrir a sessão. Muitos jornalistas e cinegrafistas foram agredidos fisicamente pelos policiais. 

O dirigente criticou também o fato de Motta ter tentando igualar o caso de Glauber aos de Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália, e Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido da Justiça por envolvimento na trama golpista de 08 de janeiro de 2022. “São casos que não guardam nenhuma relação entre si, mas Motta tentou transmitir a falsa ideia de que a decisão de pôr as três cassações em votação era um ato meramente regimental”. O dirigente lembra que Glauber reagiu a um insulto de um membro do MBL (Movimento Brasil Livre) que o perseguia há meses, ofendendo inclusive a mãe do deputado, que na ocasião dos fatos, em abril de 2024, estava muito doente – Saudade Braga acabou morrendo menos de um mês depois do imbróglio envolvendo Glauber e Gabriel Costenaro, do MBL.

Zambelli fugiu do país logo após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar o cumprimento da pena. Ela é acusada de invadir, com a ajuda de um hacker, o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserir dados falsos no sistema do CNJ. A deputada do PL também foi condenada por porte ilegal de arma de fogo. “É muita desonestidade do presidente da Câmara querer criar simetria entre o caso de Glauber e de dois foragidos da Justiça”. 

A Câmara deve retomar nesta quarta (10) a votação das cassações de Glauber, Zambelli e Ramagem. “Durante a caravana de Glauber, o Sindicato dos Bancários se colocou em defesa do mandato do deputado. Glauber é um dos deputados mais combativos desta legislatura. Um parlamentar que não faz lobby para a bancada BBB: bala, boi e bíblia. O único lobby do deputado é com a classe trabalhadora deste país. Não vamos aceitar que o Congresso inimigo do povo sequestre o mandato legítimo de Glauber. É hora das centrais, entidades sindicais, organizações sociais, dos partidos progressistas e da sociedade civil ocuparem as ruas em defesa do mandato do deputado. Glauber fica!”, clamou Carlão.