O Brasil encerrou 2025 com o saldo de 1,28 milhão de empregos criados no mercado formal. Outro dado confirma o momento positivo do mercado de trabalho brasileiro. No ano passado, a taxa de desemprego fechou em 5,6%. De acordo com os parâmetros econômicos, as taxas abaixo de 6% indicam que o país está em pleno emprego. Na prática, isso significa que o trabalhador que está desempregado tende a encontrar uma vaga em pouco tempo. O setor bancário, no entanto, segue na contramão do país. Em 2025, os bancos fecharam 8,9 mil postos de trabalho. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Desde 2023, início do Governo Lula, a economia brasileira registrou a ampliação de mais de 4,4 milhões de empregos formais. No mesmo período, os bancos, mais uma vez contrariando o aquecimento do mercado, eliminaram 20.419 postos de trabalho. Durante todos os meses do ano passado, o saldo do emprego bancário foi negativo. Exceção a fevereiro, mês em que as admissões superaram as demissões em modestas 59 vagas. Segundo o estudo do Dieese, a Caixa Econômica Federal foi o único banco que apresentou saldo positivo de 1.185 postos de trabalho em 2025.
Lucro nas alturas X demissões
Se os bancos vêm eliminando postos de trabalho ano a ano, não é em função de instabilidades nos resultados. “Muito ao contrário, os bancos estão invariavelmente com o lucro ascendente. A cada ano de recorde, eles sobem o sarrafo mais um pouco e exigem que os empregados se virem para bater metas cada vez mais intangíveis. Para se ter uma ideia da grandeza dos números, de 2020 a 2025, com pandemia no meio e tudo mais, Itaú, Bradesco e Santander, somados, registram lucro de mais de R$ 408 bilhões”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários.
O dirigente aponta que somente em 2025 o lucro dos três gigantes passou da casa dos R$ 87 bilhões. “Estamos falando de uma média de lucro de R$ 238 milhões por dia. A cifra soa absurda, mas está é a historicamente a realidade dos bancos brasileiros. Ao mesmo tempo em que acumulam recordes de lucro, aceleram as demissões, arrocham as metas e não recompõem o poder de compra da categoria bancária”, critica Carlão.
O estudo do Dieese confirma a crítica do dirigente sobre as perdas salariais da categoria, mesmo com os lucros estratosféricos dos bancos. O salário mensal médio anual de um bancário admitido em 2025 foi de R$ 7.906, contra R$ 8.679 dos trabalhadores desligados. Isso significa que o salário médio do admitido correspondeu a 91,09% do salário do desligado (veja tabelas abaixo).


A análise da tabela, segundo o Dieese, evidencia que as desigualdades salariais se aprofundam quando observado o recorte combinado de gênero e raça, tanto nas admissões (salário médio contratual) quanto nos desligamentos — cujos valores tendem a refletir reajustes e progressões ao longo da carreira.
Ainda de acordo com o estudo, a maior discrepância ocorre entre homens não negros, que apresentaram remuneração média de R$ 9.644 na admissão e R$ 10.484 no desligamento, e mulheres negras, com R$ 5.424 e R$ 6.151, respectivamente. Isso significa que as mulheres negras receberam salários 43,7% menores na admissão e 41,3% menores no desligamento em comparação aos homens não negros. Esses diferenciais persistentes evidenciam desafios estruturais na promoção da equidade salarial no setor bancário e reforçam a relevância da Lei de Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023), promulgada em julho de 2023 e regulamentada em novembro do mesmo ano.
A análise do Dieese destaca que a temática também é objeto recorrente da Mesa de Igualdade de Oportunidades da Categoria Bancária, consolidada há mais de duas décadas como espaço permanente de negociação.








