Negociação: COE Itaú cobra fim das demissões e suspensão do programa de metas

19/04/2021 15:23

Negociação aconteceu na última sexta-feira, 16, por videoconferência. Além de debater emprego e condições de trabalho, movimento sindical cobrou o cumprimento dos protocolos de prevenção à covid-19

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú cobrou da direção do banco a manutenção do emprego, o cumprimento dos protocolos de segurança contra a covid-19 e a suspensão do GERA, novo programa de metas iniciado durante  a pandemia. A reunião de negociação foi realizada na última sexta-feira, 16, por videoconferência. 

GERA

Os representantes sindicais reivindicaram a suspensão da implantação do programa de remuneração variável GERA. Segundo avaliação, o modelo é mais complexo e prejudicial que o anterior, o AGIR, e a cobrança por metas aumentou substancialmente mesmo na pandemia, o que tem preocupado os empregados. 

“Programas de remuneração variável fazem parte da lógica competitiva e predatória a qual bancários são submetidos. Por um lado o Itaú demite, criando um ambiente de medo e pressão sobre os trabalhadores, por outro vincula parte da remuneração ao cumprimento de metas, criando justificativa para novas demissões, caso os resultados não sejam atingidos. É cruel em si, mas durante a pandemia assume contornos ainda mais graves, já que o atendimento bancário deveria estar restrito ao essencial, e a prioridade está longe de ser a venda de produtos bancários”, critica o dirigente Carlos Pereira de Araújo, Carlão, do Sindibancários/ES.

O movimento sindical criticou também o fato de o GERA exigir a certificação Ambima, cujas provas estão suspensas até 31 de maio de 2021, em função da pandemia – prazo que ainda pode ser adiado. 

“O banco deveria qualificar seus empregados, mas cobra essas certificações como se fossem responsabilidade do empregado, apesar de elas não serem exigidas na contratação. Acaba sendo mais uma pressão individual e absurda sobre o bancário”, salienta Carlão.

Emprego

Os bancários também cobraram a suspensão de qualquer processo de demissão de trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus. O banco apresentou o quadro de contratações e desligamentos e justificou que os demitidos não faziam mais o perfil do banco. O movimento sindical pontuou que o número de trabalhadores demitidos está muito alto, especialmente durante uma crise sanitária.

No balanço de 2020, o Itaú lucrou 18,9 bilhões. Apesar do resultado positivo, o banco rompeu o compromisso de não demissão  durante a pandemia. Ao final do 4º trimestre de 2020, o grupo Itaú contava com 83.919 empregados no país, com crescimento de 2.228 mil postos de trabalho em doze meses, mas uma redução de 353 postos em relação ao trimestre anterior. É Importante destacar que, a partir do segundo trimestre, o total de empregados passou a considerar os trabalhadores da ZUP (empresa de tecnologia adquirida em outubro de 2019). Em doze meses, foram fechadas 117 agências físicas no Brasil e não foi aberta nenhuma nova agência digital, totalizando 3.041 e 196, respectivamente.

Somados aos números de demitidos do Bradesco e Santander, mais de 12 mil bancários de bancos privados perderam o emprego no último ano. 

“O lucro do banco é exorbitante, mesmo durante a pandemia. Os resultados mostram que há condições para manter o emprego, por isso, demitir em meio a maior crise sanitária dos últimos tempos é uma irresponsabilidade social, um gesto de desprezo com a estabilidade do país. É o banco espezinhando as dores da categoria e da população brasileira, que já enfrenta índices de desemprego recorde”, aponta Carlão. 

Demissões foram alvo de protestos dos bancários em 2020

Protocolos

Membros da COE também relataram denúncias de descumprimento dos protocolos de saúde e segurança no trabalho. O banco apresentou os protocolos passados aos trabalhadores e garantiu que está reforçando a importância do cumprimento de todos eles. Além disso, anunciou a diminuição do horário de atendimento, com fechamento das agências às 14 horas, a suspensão das visitas a clientes e o reforço das limpezas nas agências. 

No Espírito Santo, Carlão lembra que a redução do horário de atendimento e a suspensão das visitas já estavam sendo implementadas há cerca de um mês, e que o funcionamento dos bancos está regulamentado por decreto estadual que limita o atendimento aos serviços emergenciais. O descumprimento das medidas restritivas ou outros protocolos sanitários devem ser denunciados ao Sindicato

Banco de horas

O Itaú apresentou um quadro que apontou o cumprimento de 18% das horas negativas dos trabalhadores. A situação será reavaliada a cada três meses. Caso os trabalhadores não consigam cumprir, o período de pagamento das horas será modificado.

Vacina contra a gripe

O banco anunciou também que a vacinação contra a gripe dos trabalhadores do Itaú começa nesta segunda-feira, 19. Ficou agendado uma próxima reunião para a primeira semana de maio.

Com informações da Contraf e Bancários de São Paulo