A mesa bipartite de Igualdade de Oportunidades se reuniu nesta segunda-feira, 15, para retomar as negociações sobre a pauta das mulheres bancárias. Representantes sindicais e patronais avaliaram a criação do canal de atendimento às bancárias vítimas de violência, um ano após a conquista do instrumento, e discutiram temas como a desigualdade salarial e a dificuldade de ascensão profissional para as mulheres.
Em relação ao canal de denúncias, foram registrados 128 atendimentos desde abril, o que denota que há demanda por acolhimento por parte das mulheres bancárias e que o instrumento precisa ser fortalecido, como argumenta a diretora Claudia Garcia de Carvalho, do Sindibancários/ES, que acompanhou a negociação.
“Nem todas as bancárias se sentem confortáveis de acionar o canal do banco. Cobramos maior divulgação e diálogo por parte dos bancos com as trabalhadoras, para que elas se sintam seguras e entendam que podem e devem acionar esse espaço de apoio”, explica a diretora.
Além do canal de atendimento, faz parte do acordo negociado com os bancos um programa de treinamento para os funcionários, com formação dos gestores para que eles saibam identificar o que é a violência de gênero, seja psicológica, física ou patrimonial.
“Sabemos que é necessário empenho por parte dos bancos para implementar os pontos que discutimos, por isso seguiremos acompanhando. O apoio da categoria é fundamental para fiscalizar o cumprimento do acordo” avalia Cláudia.
Mulheres ainda ganham menos
As representantes sindicais também cobraram da Fenaban medidas para reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres nos bancos. Estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) e apresentado na reunião mostra que, no ritmo atual, as mulheres bancárias levarão 88 anos para que seus rendimentos se equiparem ao dos colegas homens.
O estudo registra que, em 2003, a diferença da remuneração média entre homens e mulheres no setor bancário era de 26,08%. Em 2018, a diferença era menor, mas ainda estava em 21,75%, percentual maior do que a diferença média no mercado de trabalho brasileiro, que é de 18%.
“Não podemos aceitar que essas diferenças perdurem por mais 88 anos. Precisamos incorporar medidas mais céleres para alcançar a equidade salarial entre bancários e bancárias e combater essa forma de discriminação”, pontua Cláudia.
Exclusão
A desigualdade também afeta as bancárias na ascensão profissional. O estudo do Dieese mostra que é maior a proporção de homens com mais de três promoções na carreira, de 31,7% contra 19,9% das bancárias.
“O que observamos com frequência é que homens promovem homens, uma tendência que se repete nos bancos, deixando mulheres numa posição desprestigiada”, sublinha Garcia.
A participação das mulheres negras no sistema financeiro também foi cobrada. Segundo dados sistematizados pelo Dieese, as mulheres negras são as maiores vítimas da desigualdade no mercado de trabalho. Em 2020, a taxa de desocupação das mulheres não negras era de 13,5%, enquanto que a das mulheres negras era de 19,8%. A mulher negra precisa trabalhar o dobro do tempo do que um homem branco para ter a mesma renda.
Pandemia
Os impactos da pandemia para o trabalho das mulheres bancárias também foi pauta. Foram destacados problemas como o acúmulo de tarefas domésticas, a dificuldade de conciliar o trabalho com o convívio familiar, além do aumento da exposição à violência doméstica.
“A pandemia precisa ser combatida por todos os setores econômicos e, além do isolamento social, a vacina é essencial para dar fim a essa tragédia. Por isso, reforçamos na reunião a reivindicação do movimento bancário de que a categoria seja incluída no grupo prioritário de vacinação, já que segue atuando como parte das categorias que prestam serviços essenciais durante a pandemia”, completa a dirigente Cláudia Garcia.
A mesa bipartite de Igualdade de Oportunidades é composta por representantes da Comissão de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência (CGROS), do Coletivo de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Com informações da Contraf









