Santander joga duro no início das negociações do Acordo Aditivo

Entrega da minuta realizada na primeira reunião, na terça-feira, 3 – Foto: SEEB/SP

As duas rodadas que abriram as negociações do Acordo Coletivo Aditivo dos bancários do Santander, realizadas nesta terça, 3, e na quarta-feira, 4, em São Paulo, foram de jogo duro por parte do banco, com contraproposta aquém do solicitado pela Comissão de Organização dos Empregados (COE). As negociações continuam, mas não foi definida data para a próxima reunião. O atual acordo tem vigência até 31 de agosto deste ano.

A minuta de reivindicações, elaborada a partir da consulta realizada com os bancários em janeiro e fevereiro, traz, além da renovação das cláusulas em vigor, três reivindicações centrais: reajuste do Programa de Participação dos Resultados do Santander (PPRS) proporcional ao lucro líquido do banco no último ano, isenção de tarifas para os empregados, assim também como linha de crédito com juros mais baixos.

“O Santander é o único banco que cobra tarifas de seus empregados e isso também só acontece no Brasil, porque em outros países em que o banco tem negócios não é assim. Essa reivindicação não significa nada para as finanças do Santander, que em 2019 lucrou apenas com cobrança de tarifas R$ 18 bilhões, valor que cobre duas folhas de pagamentos do banco incluindo PLR. Então o Santander tem como atender a essa reivindicação”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro da COE Santander, Cláudio Merçon, o Cacau.

Segundo Cacau, que participou das reuniões em São Paulo, o Santander propôs na mesa de negociação a criação de um grupo de trabalho para discutir, em trinta dias, essa proposta de não cobrança de tarifas. “Nós precisamos ter essa garantia no Acordo Coletivo, pois já é uma reivindicação antiga e o banco só protela. Não podemos jogar para um GT; queremos discutir no prazo que for necessário e incluir no Acordo Aditivo”, diz.

Na mesma linha das tarifas, a COE reivindica a oferta de crédito com juros mais baixos para os empregados. “O banco diz que somos seu maior patrimônio, então nada como valorizar quem trabalha para a instituição, com crédito subsidiado”, afirma Cacau.

Sobre a PPRS, a proposta da COE é que o reajuste seja proporcional ao lucro líquido do banco, que superou os 18%. O Santander propôs um valor de R$ 2.880, o que dá em torno de 5% sobre os R$ 2.660 pagos em 2019, ou seja, muito aquém do que pode pagar.

“As negociações estão apenas começando, esperamos que o Santander avance nas próximas reuniões”, afirmou Cacau.

Foto de capa: SEEB/SP