Igor Felippe Santos*
O Brasil atravessa um momento decisivo de sua história. A imposição pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros em setores estratégicos não é um gesto isolado, mas parte de uma ofensiva do imperialismo norte-americano contra a soberania do nosso país.
Essa medida cumpre diferentes funções articuladas entre si. No plano geopolítico, procura enfraquecer os BRICS e, em particular, desgastar a aliança estratégica entre Brasil e China. No campo econômico, tem como alvo direto os setores exportadores brasileiros, ao mesmo tempo em que mira áreas estratégicas, como terras raras e minérios críticos. Do ponto de vista tecnológico, atua para limitar a capacidade do Brasil de regular as redes sociais e, além disso, ameaça o fortalecimento do Pix como um sistema de pagamentos soberano e independente. Já no terreno político, a iniciativa interfere nos assuntos internos do país, buscando blindar o ex-presidente Jair Bolsonaro de punições por seus crimes e influenciar nos rumos das eleições de 2026.
Esses ataques externos não podem ser vistos separados da situação interna. Desde o golpe de 2016, a burguesia brasileira aprofundou seu caráter antinacional, antipopular e antidemocrático. Michel Temer aprovou o teto de gastos e a reforma trabalhista; Bolsonaro entregou a Eletrobrás, atacou a Previdência e submeteu o Banco Central aos interesses do capital financeiro. O resultado foi a precarização em massa: quase 40% da classe trabalhadora vive na informalidade, submetida a jornadas intensas e à exploração das plataformas digitais.
A eleição de Lula para a Presidência em 2022 foi uma importante vitória política. No entanto, o governo enfrenta a pressão do grande capital e do Congresso Nacional, que expressa o programa da burguesia e busca impor seus interesses. Desde 2023, vivemos um período de crescimento econômico e queda no desemprego, mas não houve uma mudança substantiva na vida do povo, que se manifesta nas dificuldades nas pesquisas de opinião. A avaliação do governo melhorou, justamente, quando denunciou as manobras da maioria de direita do Congresso, defendeu de forma firme a taxação dos super-ricos e a soberania nacional diante dos ataques de Trump.
A classe dominante brasileira não tem compromisso com a nossa soberania nem interesse em construir um projeto nacional. Sempre se associou de forma subalterna aos Estados Unidos e aceitou acordos de dependência. Só quem pode defender o Brasil a soberania nacional é a classe trabalhadora, organizada e em luta. Para isso, é necessário associar a defesa da soberania com a luta em defesa do programa da classe trabalhadora.
Assim, o Plebiscito Popular Por um Brasil Mais Justo assume um papel central, como uma metodologia de trabalho popular para consultar a população sobre a taxação dos super-ricos com a isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores e a classe média e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial com o fim da escala 6×1. Essas medidas podem garantir melhores condições de vida para os trabalhadores, assim como constroem as bases de um projeto soberano de desenvolvimento.
As eleições de 2026 estão no horizonte, mas só haverá vitória popular se o povo estiver em movimento. O desafio é mobilizar a classe trabalhadora para defender a soberania nacional por meio do plebiscito para enfrentar o imperialismo, derrotar a extrema direita e avançar na construção de um projeto popular para o Brasil, com a realização de mudanças estruturais.
(*) Igor Felippe Santos é jornalista e analista político com atuação nos movimentos populares.








