Vitória histórica da classe trabalhadora: Câmara aprova fim da 6X1 

28/05/2026 13:05

Mobilização popular foi decisiva para aprovar a PEC que acaba com a 6X1, limita a jornada de trabalho a 40h semanais (5X2), sem redução salarial. Mas a luta ainda não acabou. Pressão agora é sobre o Senado 

Deputadas e deputados comemoram a aprovação da PEC que extinguiu a escala 6X1em votação em dois turnos nessa quarta-feira (27) na Câmara (Foto: Agência Câmara)

“Uma vitória histórica da classe trabalhadora”. Foi assim que o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), classificou a votação da noite desta quarta-feira (27) na Câmara dos Deputados que aprovou, em segundo turno (461 X 19 votos), o fim da escala 6X1. O texto aprovado limita a jornada semanal a 40 horas semanais, com duas folgas por semana (5X2), sem redução salarial. A implantação é gradativa, daqui a 60 dias a jornada semanal reduz para 42 horas, e finalmente para 40 horas em até 14 meses. 

Carlão destacou que a mobilização popular foi decisiva para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). É importante lembrar, destaca o dirigente, que essa mobilização não começou agora. Ainda em 2024, Rick Azevedo, hoje vereador do PSOL pelo Rio de Janeiro, organizou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e passou a levar a ideia e os trabalhadores para as ruas. O VAT rapidamente se espalhou por todo o país. Trouxe para a luta dos trabalhadores as centrais, os sindicatos, os partidos políticos de esquerda e as organizações sociais. “Rapidamente essa pauta se espalhou como um rastilho de pólvora. Era uma pauta que unia os trabalhadores, independentemente da posição ideológica. De lá para cá, foram diversos atos de rua. O fim da 6X1 também foi uma das questões do plebiscito popular que as centrais e os sindicatos ajudaram a organizar em 2025”, recorda. 

Na avaliação do dirigente, a pauta em defesa do fim da 6X1 foi maturando e ganhando tração para se transformar numa reivindicação central e histórica da classe trabalhadora. “Essa vitória de ontem [27] tem várias camadas. Ainda precisamos entender com calma cada uma delas. Lutamos contra um Congresso que invariavelmente defende os interesses das elites e retira direitos dos trabalhadores – as reformas trabalhista e previdenciária são exemplos recentes. Os setores empresariais, sobretudo os grandes empresários, articularam um forte lobby com os parlamentares para derrotar a PEC. A imprensa corporativa, por sua vez, fez o papel de porta-voz das elites. Toda essa conjuntura adversa torna a vitória tão representativa. Derrotamos todas essas forças e aprovamos a proposta com larga margem na Câmara [eram necessários 308 votos para a PEC passar]. Agora nossa luta é no Senado”, avisa Carlão.

Mais engajamento, mobilização e pressão
Para o dirigente, o desafio agora das centrais, dos sindicatos e da classe trabalhadora é manter a mobilização e concentrar a pressão no Senado. “Temos que engajar mais trabalhadores para a luta. Quem ainda não acreditava em uma vitória, depois de ontem deve ter se convencido de que a força dos trabalhadores é gigantesca quando estamos organizados e unidos para a luta”.

Para a PEC avançar no Senado e enterrar de vez a 6X1, precisa de 49 votos (3/5 dos 81 senadores) em dois turnos de votação no Plenário. Antes de ser submetida ao Plenário, porém, a proposta deve ser analisada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e eventualmente em outras comissões. Ainda não há data definida para a proposta ser votada no Senado. 

“É hora de marcar pressão sobre cada um dos senadores. Por exemplo, aqui no Espírito Santo sabemos que Fabiano Contarato (PT) apoia o fim da 6X1 – já temos um voto a nosso favor. Temos que pressionar Magno Malta (PL) e Marcos Do Val (Avante) e perguntar diretamente se os senadores vão votar com os trabalhadores ou com as elites. Queremos uma resposta e vamos cobrar. Pra cima deles!”, convoca Carlão.

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