Abuso: Caixa promete bônus e entrega metas

19/11/2020 16:18

Vice-presidente do banco anunciou novas metas, às vésperas do fim do ano. Em meio à sobrecarga e ao esgotamento gerados pelo trabalho na pandemia, muitas unidades terão que dobrar aos resultados para ficarem dentro do exigido

Em vídeo veiculado aos empregados em setembro, o presidente  da Caixa, Pedro Guimarães, havia anunciado que os bancários teriam uma “surpresa” no Bônus Caixa.  O bônus ainda não veio, mas o que eles já receberam foi um verdadeiro “presente de grego”. Isso porque, segundo informações divulgadas pela APCEF/SP, o vice-presidente do banco, Paulo Ângelo, já anunciou o aumento nas metas estabelecidas para as unidades, conforme determinação do Conselho Diretor da Empresa — comandado por Guimarães. 

A notícia caiu como uma bomba na categoria, já sobrecarregada pelos atendimentos emergenciais e pela política de metas durante a pandemia, período extremamente adverso para vendas comerciais e em que o atendimento deveria estar restrito ao essencial. A Caixa chegou a assumir o compromisso de não cobrar metas na crise sanitária, suspendendo inclusive o GDP. No início de junho, no entanto, esse compromisso foi rompido, e uma nova rotina de cobrança foi estabelecida

Agora, às vésperas do fim do ano e com poucos dias úteis disponíveis, o aumento arbitrário das metas gerou revolta. As unidades já estavam programadas para encerrar 2020 tendo como parâmetro os resultados previstos a partir do retorno do Conquiste (sistema de mensuração e acompanhamento das metas), em junho. Nas agências, vários empregados, inclusive gestores, programaram férias ou APIP´s (Ausência Permitidas por Interesse Particular) para dezembro, numa tentativa de se recompor do esgotamento gerado pela sobrecarga de trabalho. 

Procura por atendimento na pandemia gerou longas filas nas agências e sobrecarga para bancários. Foto: Sérgio Cardoso

Segundo análise do Movimento Sindical, o aumento das metas, além de arbitrário, é desproporcional, de maneira que muitas agências precisarão dobrar os resultados obtidos para conseguirem atingir o novo marco. A situação se torna ainda mais grave com a redução do quadro de funcionários ocasionada por duas medidas: um novo PDV lançado pela Caixa no início de novembro, e o desligamento compulsório de bancários aposentados com base na Emenda Constitucional n°103/2019, a reforma da Previdência. 

Para a diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges, “Pedro Guimarães e Paulo Guedes querem compensar o fracasso da tentativa de vender ativos da caixa com o aumento das metas, a custo da saúde física e mental dos empregados”. 

A dirigente afirma que a política de metas conflita com o interesse social da Caixa e convoca os empregados a um processo de resistência. “Precisamos nos unir para combater esse absurdo que é tornar a Caixa um banco única e exclusivamente comercial. Essa não é a razão de ser da Caixa e os empregados provaram isso ao atender milhões de pessoas durante a pandemia do coronavírus. Fora Pedro Guimarães! Fora Paulo Ângelo! Fora Paulo Guedes e Bolsonaro!”, conclui, em tom de revolta. 

A Comissão dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) já entrou em contato com a direção do banco para cobrar providências sobre a cobrança afrontosa de metas.

Com informações da APCEF/SP