O lucro líquido recorrente do Bradesco no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 6,5 bilhões. A informação divulgada pela instituição financeira permite concluir que os três maiores bancos privados do Brasil (Bradesco, Itaú e Santander) elevaram suas margens de lucro nos primeiros três meses de 2021 em relação a 2020. No Bradesco, o aumento foi 73,6%, contra 4,1% do Santander e 63,5% do Itaú.

Vale destacar que a pandemia da covid-19 teve início no Brasil em meados de março de 2020. Portanto, o aprofundamento da crise econômica, causado pela proliferação da doença, pegou uma pequena parcela do primeiro trimestre, enquanto que no mesmo período em 2021 o país viveu o auge da pandemia, e, ainda assim, o lucro aumentou significante em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Lucro acima de tudo

O diretor do Sindibancários/ES Fabricio Coelho afirma que o Bradesco quer lucrar ao máximo às custas de ações como seletividade de clientes, fechamento de agências e desemprego em massa.

Ele recorda que, em 2020, durante reunião com o movimento sindical, o banco falou sobre uma reestruturação que implicaria em demissão de 20% do quadro de pessoal, o que seria cerca de 20 mil trabalhadoras e trabalhadores, sendo que, até o momento, já foram dispensados uma média de 8 mil.

Na ocasião, lembra Fabrício, o banco falou no aumento dos bancos digitais. “O Bradesco está focado na seletividade do cliente, no descarte da população em geral, mirando em um público seleto de clientes a serem atendidos com o mínimo de funcionários possível, com aumento das metas para quem fica e, também, da sobrecarga de trabalho”, diz.

O diretor acrescenta que há muito tempo as despesas administrativas, incluso a folha de pagamento, são saldadas com as tarifas bancárias, as menores de todas receitas da instituição financeira, e ainda sobra. Portanto, a manutenção dos postos de trabalho gera impacto praticamente nulo na lucratividade do banco.

R$ 16,9 bilhões

No início da pandemia, os bancos firmaram um compromisso com os sindicatos de não demitir durante a crise sanitária, mas romperam esse acordo ainda no primeiro semestre de 2020.

Juntos, Bradesco e Santander demitiram 10.933 funcionários entre março de 2020 e março de 2021. Além do corte de pessoal, o Bradesco foi o banco que fechou mais agências: 1.088 neste mesmo período.

Somados, os resultados dos três maiores bancos privados atingem R$ 16,9 bilhões nos três primeiros meses do ano. Essa excepcional marca é obtida na pior fase da pandemia, que já matou mais de 414 mil pessoas no país, 9.723 só no Espírito Santo (dados atualizados até 05/05/21).

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