Um mês dedicado à reflexão e ao debate sobre os cuidados necessários à saúde mental. Estamos falando do Janeiro Branco, campanha criada em 2014 e que a cada ano ganha novas adesões e ações em todo o Brasil. Idealizada pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, a campanha teve início em Uberlândia (MG), quando psicólogos foram às ruas para falar sobre “saúde mental, saúde emocional, sentido da vida, qualidade emocional e harmonia nas relações humanas”.
No caso dos bancários, assim como em outras categorias, o adoecimento mental está relacionado à forma de organização do trabalho. Um levantamento feito em 2019 pela International Stress Management Association (Isma-BR) apontou que a síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, afeta, no Brasil, cerca de um terço (32%) da classe trabalhadora. O índice põe o Brasil à frente da China e dos Estados Unidos.
Uma rotina estressante, com pressão para o cumprimento de metas, sobrecarga de trabalho devido à escassez de empregados nas agências, assédio moral frequente fazem parte do cotidiano nos bancos, o que reflete nos números de bancários afastados do trabalho por adoecimento físico e psíquico.
Levantamento da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários/ES revela que treze bancários tiveram Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) emitida ao INSS no ano de 2021 por adoecimento mental relacionado à atividade profissional. Neste primeiro mês de 2022 já há uma CAT emitida. São casos de depressão, transtorno de ansiedade, crise de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, reações de estresse, transtorno de adaptação, estresse pós-traumático e síndrome de burnout.
“Acredito que a quantidade de bancários que sofre de transtornos emocionais, de humor e de personalidade é maior do que os números oficiais. Infelizmente, existe forte preconceito pela sociedade em relação à saúde mental, o que não é diferente no setor bancário. O trabalhador adoecido se sente desamparado, com medo de perder função, de ser transferido, de ser discriminado ou até demitido. Muitos não veem saída e se calam”, afirma o diretor do Sindicato Arthur Castro Dussoni.
Ele destaca que “a campanha Janeiro Branco existe para combater esse silêncio, pois o tratamento para todos os transtornos mentais começa na verbalização, no ato de compartilhar e no amparo”. E complementa: “considero que a campanha acerta em cheio ao encorajar as pessoas a buscar ajuda, a se conhecerem e a partir disso alcançarem uma excelente saúde mental”.
Redes sociais
Nesta nona edição da campanha, em função da pandemia, os eventos estão sendo organizados em formato on-line e nas redes sociais (@janeirobranco). De acordo com os organizadores, estudos e pesquisas sobre os efeitos colaterais da covid-19 na saúde mental colocam como desafio a definição de “estratégias públicas e privadas para proteger, fortalecer e promover a saúde mental das pessoas”.
Segundo recente estudo realizado pela Fiocruz e seis universidades, enquanto 40% da população brasileira apresentam sentimentos frequentes de tristeza e de depressão, outros 50% têm frequentes sentimentos de ansiedade e de nervosismo. Em relação às faixas etárias iniciais da vida, uma pesquisa conduzida pelo Unicef/Gallup mostrou que 22% dos adolescentes e jovens brasileiros de 15 a 24 anos se sentem deprimidos ou têm pouco interesse em ‘fazer coisas’.
As dez atitudes para um mundo com mais saúde mental, segundo a campanha Janeiro Branco, são políticas públicas para saúde mental, condições sociais dignas de existência, prática de exercícios físicos e de hobbies terapêuticos, autoconhecimento, qualidade de vida, vínculos sociais profundos, abertura a novos conhecimentos, espiritualidade saudável, contato com a natureza, autonomia e sentidos próprios de vida.
Participe da pesquisa sobre burnout
O pesquisador Rui Carlos Stockinger, da Universidade Católica de Petrópolis (RJ), está desenvolvendo uma pesquisa para compreender melhor os fatores associados à síndrome de burnout entre os bancários. Para responder ao questionário, clique aqui.
A síndrome, segundo Stockinger, define-se por sintomas como o esgotamento físico e psicológico, o distanciamento afetivo, certa insensibilidade ou perda do sentido do eu e baixa realização profissional, caracterizada por sensações e sentimentos de ineficácia e baixa autoestima.








