
Sindibancários/ES marca presença no ato na rua 7 (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
“Sem anistia para golpistas!”; “Democracia e soberania”; “Fora Trump!”; “Não ao imperialismo dos Estados Unidos”; “Pela soberania da Venezuela”. Essas foram algumas das frases que se ouvia nessa quinta-feira (8) na rua 7 de Setembro, no Centro de Vitória, que ficou completamente tomada pelos manifestantes no trecho que vai da rua Professor Baltazar até a praça Costa Pereira. Alternadas às falas de lideranças do movimento sindical, de entidades sociais e políticos de esquerda, Carlos Papel, Debie Schultz, Jhon Conceito e outros artistas deram um contorno cultural ao evento.
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), falou sobre a importância da classe trabalhadora capixaba ir para as ruas para defender a democracia e a soberania do Brasil e da América Latina. “Este ato marca os três anos da tentativa de golpe de Bolsonaro que, aliás, está preso. Sem anistia para golpistas”, exclamou.
O dirigente da Intersindical no Espírito Santo Renan Almeida também destacou a participação maciça da população no ato. “A Classe Trabalhadora está de parabéns! Em pleno janeiro, em pleno verão, os trabalhadores e trabalhadoras estiveram presentes na Rua 7 na luta pela nossa soberania”. Renan disse que o 8 de janeiro deve ser uma data destacada em nosso calendário de lutas para marcar posição contra os falsos patriotas, os entreguistas de plantão, que se enrolam na bandeira verde e amarela, mas que se ajoelham para o imperialismo norte-americano. “

No final da sua fala, Carlão puxou o coro “sem anistia!”
Carlão afirmou que o ato, que aconteceu simultaneamente em outras capitais brasileiras, é uma demonstração de que o povo é contra a anistia. “É muito motivador ver o povo nas ruas se manifestando contra a anistia. As pessoas estão aqui porque entendem que a punição exemplar dos golpistas protege a nossa democracia de novos ataques. A história nos mostra que dos 15 golpes que aconteceram no Brasil da Proclamação da República para cá, os golpistas foram anistiados nos seis que fracassaram. Na sétima tentativa de golpe, a de Bolsonaro, temos a oportunidade histórica de finalmente punir os golpistas”, ressaltou Carlão.
Maioria reprova anistia
As pesquisas refletem o sentimento das ruas. Pesquisa Quaest de abril de 2025 apontou que 56% defendem que os condenados continuem presos para cumprir integralmente suas penas. Outros 86% reprovaram as invasões e depredações das sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Apesar de a maioria dos brasileiros se mostrar contrária à anistia, conforme mostram as pesquisas, a Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro último, o PL da Anistia, que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O PL 2162/2023, formalmente chamado de PL da Dosimetria, também foi aprovado no Senado.
Carlão destacou no ato o fato de o presidente Lula ter feito o veto do PL da Anistia simbolicamente nessa quinta, dia 8. Ele disse que a pressão das ruas será decisiva para o Congresso não derrubar o veto do presidente. É necessária maioria absoluta para derrubar o veto. A oposição irá precisar de 257 na Câmara e 41 no Senado. “Vamos nos manter mobilizados para o veto do presidente Lula não cair. PL da Dosimetria é anistia disfarçada. Sem anistia!”.
Soberania do Brasil e da América Latina
Após a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa Cilia Flores no último dia 2, a agressão dos Estados Unidos entrou obrigatoriamente na pauta das manifestações dessa quinta-feira país afora. “O ato é também em defesa da nossa soberania, que foi duramente ameaçada por Trump, e da soberania de todos os países da América Latina, que entraram no radar imperialista dos Estados Unidos”, criticou Carlão.

Manifestante exibe cartaz em protesto a Donald Trump: “Genocida”
“Os Estados Unidos seguem sua sanha imperialista. Invadem a Venezuela, depõe o seu presidente e se apropriam das reservas de petróleo, submetendo o país aos desígnios de Trump”, afirmou Ronan. Carlão completou: “Trump quer roubar as reservas de petróleo da Venezuela, a maior do planeta, estimada em 303 bilhões de barris. O petróleo pertence ao povo venezuealano. Toda solidariedade à Venezuela. Fora Trump!”.
O ato da rua 7 foi organizado pelas centrais Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, CUT, NCST e CTB. Contou também com os apoios do PSOL-ES, PT, PCdoB, Triplex Vermelho Centro Cultural, DCE-Ufes, UNE e ABJD-ES.
Confira as fotos do ato de 8 de janeiro (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)








