Bancários protestam contra reestruturação no Santander

26/07/2022 11:19

O banco espanhol tem sido um laboratório de medidas contra os trabalhadores do sistema financeiro nacional

Os bancários realizaram manifestação nacional na manhã desta terça-feira, 26, no Santander contra a reestruturação que vem provocando demissões. Também pediram mais contratações de funcionários. No Espírito Santo, diretores do Sindicato estiveram nas agências Glória, em Vila Velha, e Reta da Penha, em Vitória, distribuindo jornal, conversando com bancários e clientes sobre a situação de assédio moral, sobrecarga de trabalho e prejuízos das mudanças efetuadas pelo banco espanhol no funcionamento das agências. Houve retardamento da abertura das agências em meia hora.

A reestruturação imposta pelo Santander envolve terceirização de serviços, automatização de funções, desemprego, ampliação do horário de atendimento gerencial, extinção de cargos e consequente sobrecarga de trabalho.

O Santander fala que está próximo aos clientes, mas empurra as pessoas para o atendimento digital, cortando postos de trabalho que poderiam melhorar o atendimento ao público e gerar mais empregos no Brasil.

Em cinco anos, o banco aumentou a proporção de 656 clientes por funcionário para 1.116 por bancário. Enquanto o número de clientes cresceu 166%, a quantidade de postos de trabalho caiu 2,1%. Os dados estão nas Demonstrações Financeiras do próprio banco.

“O Santander tem sido um laboratório de medidas contra os trabalhadores do sistema financeiro nacional. A tentativa de abertura das agências aos sábados aconteceu primeiro aqui. Só não teve continuidade porque o Sindicato ganhou uma liminar. Tivemos outras iniciativas, como  demissões na pandemia e ampliação do horário de atendimento gerencial, ou seja, tudo o que vem para prejudicar os trabalhadores acontece primeiro no Santander. E tem sido muito difícil negociar com o banco. Essa é a instituição que mais dificulta o processo negocial e sacrifica os trabalhadores, enquanto lucra bilhões de reais no Brasil e no mundo”, afirma o diretor do Sindicato e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE), Cláudio Merçon (Cacau).

Campanha Nacional 2022

A defesa do emprego bancário está entre as reivindicações da Campanha Nacional 2022 da categoria. O Comando Nacional dos Bancários, que negocia com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), tem cobrado o fim das terceirizações, das demissões e das contratações precarizadas de não bancários que se ampliam no setor. De acordo com levantamento do Dieese, desde 2013 houve uma redução de 77 mil postos de trabalho na categoria bancária.

“Com um lucro de mais de R$ 16 bilhões – o Santander Brasil fechou o ano de 2021 com lucro de R$ 16,347 bilhões, uma alta de 7% em relação a 2020 –, o banco espanhol deveria contribuir para gerar empregos no nosso país, o que não vem acontecendo”, afirma Cacau.